
A vida do jovem Matheus Araújo Vicente, de apenas 24 anos, foi interrompida de forma brutal e, segundo seus entes queridos, completamente evitável. Tudo começou com uma batida de moto, daquelas que parecem comuns na selva de pedra paulistana, mas que desencadeou uma sucessão de falhas que terminou em tragédia.
Era uma terça-feira, 26 de agosto, por volta das 23h. Matheus pilotava sua moto pela Avenida Salim Farah Maluf, no bairro do Tatuapé, Zona Leste da capital. De repente, o impensável: uma colisão com um carro. O que se seguiu foi um verdadeiro calvário.
O Longo e Angustiante Percurso até a Morte
Ele foi atendido primeiro no Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio. Lá, os médicos fizeram o básico, mas o encaminharam para o Conjunto Hospitalar do Mandaqui, unidade de maior complexidade. O problema? A viagem entre um hospital e outro levou nada menos que quatro horas. Quatro horas! Um tempo eterno para alguém com traumatismo craniano.
No Mandaqui, a sensação de desespero da família só aumentou. Eles relatam um atendimento moroso, desorganizado. "Parecia que ninguém sabia o que fazer", desabafa um primo, a voz ainda embargada pela raiva e pela dor. Matheus sequer passou por uma cirurgia. Seu estado se agravou rapidamente até que, na madrugada de quinta-feira, 28 de agosto, ele não resistiu.
A Família Não se Cala e Explica Responsabilidades
Agora, movidos por uma dor que nenhuma família deveria sentir, os parentes de Matheus buscam mais do que apenas respostas. Eles exigem responsabilização. A tia dele, Rosana Araújo, não usa meias-palavras: "Foi negligência, pura e simplesmente. Meu sobrinho poderia estar vivo se tivesse sido atendido como merecia".
Ela aponta o dedo para a demora no transporte entre as unidades de saúde e para a suposta falta de agilidade e competência da equipe do Mandaqui. É um grito de desespero contra um sistema que, em vez de salvar, teria acelerado a partida de um jovem cheio de vida.
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, emitiu uma nota genérica. Diz que "os casos são avaliados por médicos e a transferência é feita conforme a disponibilidade de vagas". Um texto padrão, frio, que soa como um insulto para quem perdeu tudo.
O Hospital Mandaqui, por sua vez, limitou-se a informar que o paciente deu entrada já em estado gravíssimo e que "todas as condutas médicas necessárias foram realizadas". Afirmações que colidem frontalmente com a narrativa da família.
Enquanto isso, a Polícia Civil deixou o caso sob a alçada do 1º DP do Tatuapé. Eles aguardam laudos cruciais – incluindo o exame de corpo de delito e o tão aguardado laudo toxicológico – para então definir se abrem, ou não, um inquérito para apurar possíveis crimes de omissão de socorro.
Matheus não era um número. Era um filho, um irmão, um jovem que trabalhava honestamente como frentista. Sua história termina aqui, mas a luta da sua família por justiça e para que outras vidas não se percam da mesma maneira só está começando. A pergunta que fica, ecoando nas paredes dos corredores hospitalares, é: até quando?