Fio solto atinge motociclistas no pescoço em Campo Grande; vítimas relatam ter escapado por milagre
Um grave acidente envolvendo um fio solto deixou dois motociclistas feridos na noite de quarta-feira, 11 de setembro, em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul. O incidente ocorreu por volta das 19h40 na Rua Brilhante, nas proximidades do Terminal Bandeirantes, e foi registrado por câmeras de segurança que capturaram o momento exato em que os condutores foram atingidos pelo cabo, que estava atravessado na via.
Relato das vítimas: "Nasci de novo", diz motociclista
Renato Corrêa, uma das vítimas, contou que estava retornando do trabalho e parou no semáforo vermelho no cruzamento da Rua Brilhante com a Rua Guaianases quando o fio, possivelmente de energia ou telefonia, enroscou em seu pescoço. "Eu parei no semáforo e o fio de um cabo de energia ou telefonia enroscou no meu pescoço. Quase morri", relatou em vídeo gravado após o ocorrido.
Renato sofreu um corte no pé, que necessitou de três pontos, além de escoriações na coxa, panturrilha, costas e braços. O ferimento mais grave foi no pescoço, onde o cabo provocou um corte e queimaduras na pele. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e encaminhado para a UPA Leblon. Segundo ele, o médico que o atendeu afirmou que ele teve muita sorte. "Ele perguntou se eu acreditava em milagre. Eu disse que sim. Então ele falou: 'você é um milagre, não era para você estar aqui hoje'", disse Renato, acrescentando que se o fio fosse mais fino, o acidente poderia ter sido fatal. "Realmente eu nasci de novo", declarou.
Outra motociclista também foi atingida pelo mesmo fio
A outra vítima é Aryanne Duarte Mineiro, de 29 anos, que estava ao lado de Renato quando o fio arrebentou e atingiu ambos. Ela relatou que o cabo primeiro atingiu o outro motociclista e, em seguida, acertou seu pescoço. "Na hora eu tentei tirar o fio com a mão, mas não consegui. Acabei sendo jogada para trás e caí da moto", contou. Após a queda, a motocicleta permaneceu em pé por alguns instantes antes de tombar próximo a uma placa de posto de combustível. Aryanne também sofreu ferimentos no pescoço e afirmou nunca ter passado por uma situação semelhante.
Problema crônico: fios soltos são risco constante em Campo Grande
Casos envolvendo fios soltos não são incomuns em Campo Grande. Moradores frequentemente relatam a presença de cabos pendurados ou espalhados pelas ruas e calçadas, o que aumenta significativamente o risco de acidentes com motoristas, ciclistas e pedestres. Apesar da recorrência do problema, a capital sul-mato-grossense ainda não possui uma lei municipal que obrigue a retirada de cabos sem uso.
Em setembro de 2023, o governo federal criou o programa Poste Legal, que estabelece regras para organizar os fios nos postes das cidades brasileiras. A medida visa instalar cabos e equipamentos de forma a reduzir riscos para a população e diminuir o impacto visual causado pelos emaranhados de fios. No entanto, em Campo Grande, não há legislação local específica para isso.
Em 2024, um projeto de lei foi apresentado para obrigar empresas de telefonia a retirar cabos sem uso após o cancelamento de serviços, mas a proposta foi rejeitada pela Comissão de Constituição e Justiça e não avançou.
Iniciativas pontuais: mutirão retirou fios irregulares no centro
No final do ano passado, uma força-tarefa denominada Projeto Limpa Fios começou a retirar cabos soltos, irregulares ou abandonados no quadrilátero central de Campo Grande. A ação reuniu a Agência Estadual de Regulação (Agems), a prefeitura e o Grupo Energisa. Em apenas uma noite de trabalho, foram retirados aproximadamente 15 mil metros de cabos irregulares ou abandonados em 43 postes da região central da cidade.
Apesar dessas iniciativas, moradores continuam relatando a presença de fios soltos em diversos pontos da capital, situação que permanece representando risco de acidentes, como o registrado na Rua Brilhante.
Especialista explica importância da retirada de fios irregulares
O acúmulo de cabos abandonados e clandestinos é um problema nacional e já possui normativas específicas, conforme explica o engenheiro Paulo Patrício, coordenador da Câmara Técnica de Energia da AGEMS. "As regras da Aneel permitem a retirada de cabos irregulares. A medida é essencial para garantir segurança, conformidade e organização no compartilhamento da infraestrutura", destacou.
De acordo com o Grupo Energisa, 144 empresas cadastradas foram notificadas previamente. Mesmo assim, anos de instalações não autorizadas resultaram em excesso de peso nos postes, risco de acidentes — especialmente em períodos de chuva — e poluição visual. João Ricardo Nascimento, coordenador de construção e manutenção da Energisa, reforçou que muitos cabos foram instalados sem identificação ou controle técnico adequado.



