Jornalista da TV Globo, Fernanda Santos, morre em acidente de trânsito em São Paulo
A comunidade jornalística e carnavalesca está de luto com a morte da produtora de reportagem da TV Globo, Fernanda Santos, de 53 anos. O trágico acidente ocorreu na noite desta quarta-feira (18), no cruzamento da rua Afonso Lopes Vieira com a avenida General Penha Brasil, na Zona Norte de São Paulo.
Detalhes do acidente fatal
Fernanda Santos voltava para casa após uma sessão de fisioterapia quando o carro de aplicativo em que estava realizou uma conversão proibida, colidindo frontalmente com outro veículo. Apesar de ter sido socorrida e levada rapidamente ao hospital, a jornalista não resistiu aos ferimentos. O incidente interrompeu abruptamente uma trajetória marcada por esforço e dedicação.
Trajetória de superação e paixão pelo jornalismo
Nascida na Brasilândia, filha de uma dona de casa e de um torneiro mecânico, Fernanda construiu sua carreira com notável persistência. Antes de se formar em jornalismo pela Unesp de Bauru, em 1998, trabalhou consertando caixas eletrônicos. Sua entrada na TV Globo ocorreu em 2005, onde se destacou nos bastidores da notícia com entusiasmo contagiante.
Walter Barroso, chefe de reportagem da TV Globo, compartilhou memórias emocionantes: "Entrou na rádio-escuta e sempre ficou. Sempre gritava, vibrava quando alguma imagem que tínhamos obtido entrasse no ar. Mesmo que pequena, batia palma e vibrava". Ele ainda lembrou dos momentos cotidianos: "Todos os dias, comíamos biscoitos juntos. Salgado ou doce, com manteiga Aviação. Uma das minhas companheiras das manhãs".
Paixão pelo carnaval e legado profissional
Fernanda encontrou no carnaval uma de suas maiores paixões, migrando anualmente para a cobertura das escolas de samba. Torcedora da Mocidade Alegre, campeã deste ano, ela era profunda conhecedora de todos os sambas e transitava por todas as agremiações. A Liga das Escolas de Samba prestou homenagem, destacando que Fernanda "conhecia cada canto do Anhembi".
Seu parceiro profissional, o produtor Dalton Ferreira, trabalhou ao seu lado por quase três décadas e declarou: "Conheço a Fernanda Santos há quase três décadas, antes mesmo de ela entrar na TV Globo. Trabalhar com ela foi a melhor e mais enriquecedora experiência profissional que tive. Inteligente, antenada e parceira fiel, amante da notícia bem apurada e com uma risada que estremecia a redação inteira. Essa foi a Fernanda Santos, uma jornalista com J maiúsculo".
Compromisso acadêmico e social
Além do jornalismo, Fernanda Santos dedicava-se intensamente à reflexão acadêmica e social. Era mestre pelo programa de Mudança Social e Participação Política da USP, graduada em Pedagogia e integrava, desde 2018, o coletivo Ocareté, focado em perspectivas de decolonização e questões de minorias sociais.
Ela colaborou na organização do livro "Ensaios sobre Racismos", lançado em 2020, e participou ativamente de podcasts sobre temas diversos, especialmente ligados a questões raciais e de gênero. Essas pautas atravessaram consistentemente sua trajetória dentro e fora das redações, demonstrando seu compromisso com transformações sociais profundas.
Despedida e homenagens
Fernanda Santos deixa a mãe e três irmãs. Até o momento, não há informações divulgadas sobre velório e enterro. Sua morte é sentida não apenas pela família e colegas de profissão, mas por toda a comunidade carnavalesca que acompanhava seu trabalho vibrante e dedicado.
A trajetória de Fernanda exemplifica como o jornalismo pode ser exercido com paixão, rigor e compromisso social, deixando um legado que inspira futuras gerações de comunicadores.



