A Justiça de Bertioga, no litoral de São Paulo, condenou a ex-primeira-dama Vanessa Mennitti Matheus por atropelar o ciclista Caio Aparecido de Melo Silva, em dezembro de 2022. Ela atingiu o homem, que estava na calçada, após invadir a contramão em alta velocidade. A sentença ainda considerou que ela deixou o local sem prestar socorro. Cabe recurso.
Detalhes da sentença
A pena definitiva foi fixada em quase dois anos de prisão em regime aberto, porém substituída por prestação de serviços à comunidade e pagamento de 10 salários-mínimos à vítima ou aos herdeiros. Vanessa também foi suspensa de dirigir por um ano. Ao g1, a advogada Mariangela Tamaso, que representa Vanessa, disse que a "defesa recebe com tranquilidade e respeito a sentença proferida, entretanto não concorda com seus termos, de modo que será interposto o recurso cabível no prazo legal".
Decisão judicial
A sentença, da 2ª Vara de Bertioga, condenou a ex-primeira-dama por lesão corporal culposa. A juíza Maisa Leite entendeu que as provas e depoimentos confirmaram que ela estava em alta velocidade e invadiu a calçada, o que provocou o aumento da pena. Além disso, a magistrada destacou que a vítima sofreu fraturas graves na tíbia, fíbula, no pé e ficou cerca de um ano sem conseguir andar normalmente, tendo ainda sequelas permanentes. A juíza ainda agravou a pena por omissão de socorro.
Defesa da ex-primeira-dama
Nos autos, a defesa de Vanessa alegou que ela teve uma crise súbita de labirintite, o que teria causado a perda do controle do carro. A tese, porém, foi rejeitada pela juíza porque não houve provas de atendimento médico ou tratamento. Segundo os advogados, a situação configura um mal súbito e afastaria a culpa da motorista. Eles ainda destacaram que ela ficou desorientada após o acidente e, por isso, deixou o local acompanhada de familiares, afastando o dolo da conduta.
Sequelas da vítima
Caio sofreu fraturas graves na tíbia, fíbula e metatarsos, além de traumatismo craniano que exigiu oito pontos de sutura. Ele ficou internado por 20 dias e precisou passar por duas cirurgias. Um laudo produzido pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc) apontou que houve uma redução funcional de 50% no tornozelo esquerdo de Caio, além de deformidades ósseas permanentes e danos estéticos moderados. Em juízo, a vítima disse que ficou cerca de um ano sem conseguir andar. Caio também disse que sua renda foi afetada pelo acidente, tendo em vista que trabalhava como zelador e recebia cerca de R$ 5 mil mensais antes do ocorrido. Ele declarou que, por conta dos traumas do acidente, passou a exercer função administrativa, com salário de cerca de R$ 1,8 mil. Caio acrescentou que enfrenta dificuldades para permanecer em pé, subir escadas e realizar atividades físicas.



