Estudante paraplégica após acidente com viatura policial compartilha rotina de recuperação
Estudante paraplégica após acidente com viatura policial em Goiás

Estudante paraplégica após acidente com viatura policial compartilha rotina de recuperação

A estudante Ana Caroliny Siqueira Mendes, de apenas 18 anos, tem compartilhado nas redes sociais sua intensa rotina de recuperação após ficar paraplégica em um grave acidente envolvendo uma viatura da Polícia Civil. O ocorrido aconteceu na GO-330, entre Leopoldo de Bulhões e Silvânia, na região sudeste de Goiás, em julho do ano passado.

O acidente que mudou vidas

O carro em que Ana Caroliny estava capotou após desviar de um caminhão que invadiu a pista contrária. Além da jovem estudante, o delegado Leonardo Sanches também sobreviveu ao acidente, mas ficou tetraplégico. Outras duas pessoas não resistiram aos ferimentos e morreram no local. O acidente registrado por câmeras mostra a gravidade da colisão que deixou marcas profundas em todas as famílias envolvidas.

Rotina exaustiva de tratamentos

Shirlley Siqueira, tia da jovem, relata que a rotina de recuperação não é nada fácil e exige tratamento intensivo com múltiplas terapias ao longo da semana. "É uma rotina cansativa, intensa… mas cheia de esperança", desabafa a familiar.

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Entre os diversos tratamentos realizados por Ana Caroliny estão:

  • Natação terapêutica e hidroterapia
  • Fisioterapia convencional e ecoterapia
  • Terapias complementares com ventosa
  • Terapia ocupacional especializada
  • Reabilitação robótica de alta tecnologia

O tratamento robótico que custa R$ 400 por sessão

Quarta-feira é considerado o dia mais cansativo da semana para a jovem. Neste dia, ela realiza terapia ocupacional, hidroterapia e a reabilitação robótica que utiliza uma estrutura robótica externa aplicada ao corpo para dar apoio e alinhar articulações e ossos.

"É um robô de tecnologia avançada, um tratamento robótico, um dos melhores e de maior valor. Cada sessão custa R$ 400", explica Shirlley Siqueira. A família enfrenta dificuldades financeiras para manter esses tratamentos na rede particular, que complementam o acompanhamento recebido no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer).

A busca pela polilaminina na Justiça

A família de Ana Caroliny está buscando judicialmente o direito de receber aplicação de polilaminina, composto desenvolvido em pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que tem potencial para regenerar lesões medulares. Recentemente, duas pessoas em Goiás conseguiram esse direito na Justiça, incluindo o delegado Leonardo Sanches, que estava na mesma viatura que a estudante.

"Hoje, também seguimos com o coração voltado para a possibilidade do tratamento com a polilaminina, que representa uma grande esperança para a recuperação da Carol. Porém, infelizmente, o processo judicial tem caminhado de forma desfavorável até o momento", lamenta a tia da jovem.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é um composto criado em laboratório a partir da laminina, proteína produzida pelo corpo humano com papel importante no desenvolvimento embrionário e crescimento celular. A pesquisa liderada pela cientista Tatiana Sampaio na UFRJ mostrou indícios de que a substância pode ajudar na regeneração de lesões medulares.

Embora tenha apresentado bons resultados em animais e em um pequeno grupo de pessoas, a cientista ressalta que a polilaminina ainda é uma promessa que precisa passar por todo o processo científico para comprovar eficácia e segurança. Em 5 de janeiro, o Ministério da Saúde e a Anvisa anunciaram o início do estudo clínico fase 1 para avaliar os resultados da pesquisa.

Desafios financeiros e emocionais

A família enfrenta um momento delicado quanto à continuidade dos tratamentos. A prefeitura ajuda com transporte de Silvânia para Goiânia e com uma refeição, mas os gastos com medicações e fisioterapias continuam altos. Além disso, o contrato com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) foi suspenso, aumentando as dificuldades.

"Seguimos firmes, sem desistir, mas reconhecemos que, sozinhos, está cada vez mais difícil continuar. Toda ajuda faz a diferença nesse momento", finaliza Shirlley Siqueira, enquanto Ana Caroliny segue superando dores e limites em sua jornada de recuperação.

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