Um enfermeiro teve sua vida poupada de forma inesperada após desistir de viajar no ônibus envolvido em uma tragédia que chocou o sertão alagoano. Cristian Albuquerque, que faria parte da romaria para Juazeiro do Norte, no Ceará, escapou do acidente que resultou em 16 mortos e 20 feridos na terça-feira (3), em São José da Tapera.
Decisão que salvou uma vida
Cristian Albuquerque havia embarcado no ônibus de número 16, um dos 17 veículos alugados pela Prefeitura de Coité do Nóia para transportar romeiros. No entanto, ele não ficou satisfeito com a logística de assentos, especialmente porque desejava uma poltrona na parte dianteira do veículo. Diante da impossibilidade, optou por descer e seguir no carro de número 15, uma escolha que posteriormente revelou-se crucial.
"São os desígnios de Deus"
Em entrevista, o enfermeiro expressou perplexidade e gratidão pelo ocorrido. "Subi no veículo, mas a logística de onde eu iria no ônibus 16 não estava legal. Então, resolvi descer e ir em outro veículo", relatou Cristian. Ele acrescentou: "Não há como explicar por que isso ocorreu. São os desígnios de Deus, e isso não se explica. Agora, é pedir mais proteção e paz a Deus às famílias e que Jesus conforte a todos, além de agradecer pelas vidas das pessoas que foram e voltaram a salvo".
Detalhes do acidente na Curva do S
O trágico incidente aconteceu em uma região conhecida como "Curva da Morte" ou "Curva do S", localizada no Distrito Caboclo. Testemunhas afirmam que o ônibus, que transportava romeiros retornando do Ceará para Alagoas, saiu da pista após o motorista perder o controle do veículo. O Corpo de Bombeiros Militar (CBM) e o Departamento Estadual de Aviação (DEA) foram acionados para realizar o socorro e resgate das vítimas.
Romaria das Candeias
As vítimas participavam da Romaria de Nossa Senhora das Candeias, uma das maiores peregrinações do Nordeste, realizada em Juazeiro do Norte. A prefeitura da cidade cearense emitiu uma nota oficial lamentando o ocorrido e solidarizando-se com as famílias enlutadas. Além disso, um velório coletivo foi organizado em um ginásio para os corpos das vítimas, marcando um momento de dor e reflexão na comunidade.
Contexto da viagem
A jornada envolvia um comboio de 17 ônibus, todos fretados pela administração municipal de Coité do Nóia. O veículo acidentado, conforme relatos, era do município e transportava fiéis de volta para Alagoas após os eventos religiosos. Este caso levanta questões sobre a segurança no transporte de romeiros, especialmente em estradas com trechos perigosos como a Curva do S.
A história de Cristian Albuquerque serve como um lembrete impactante dos caprichos do destino e da importância de medidas preventivas em viagens coletivas. Enquanto as investigações prosseguem para esclarecer as causas exatas do acidente, a comunidade local e os familiares das vítimas buscam conforto e justiça diante dessa perda irreparável.



