Produtores de café na região de Franca (SP) estão adotando novas medidas de segurança para enfrentar o crescimento dos furtos nas lavouras, motivado pela alta do preço do grão no mercado. Com a saca comercializada por mais de R$ 1,6 mil, as fazendas se tornaram alvos frequentes de criminosos, levando os cafeicultores a implementar desde monitoramento por câmeras até a formação de redes de comunicação por aplicativos.
Estratégias de vigilância
O engenheiro agrônomo Lucas Ubiali destaca a união entre os proprietários rurais: "As fazendas, as propriedades se unirem para estar vigiando sempre uma movimentação diferente nas lavouras, talvez até contratar uma segurança durante esse período". A EPTV, afiliada da TV Globo, solicitou posicionamento da Secretaria de Segurança Pública sobre os furtos de café na região, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
Monitoramento 24 horas
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2026 de café deve crescer 17% em relação ao ciclo anterior, tendência que também se aplica a polos produtores como a Alta Mogiana. No entanto, as boas perspectivas vêm acompanhadas da preocupação com a segurança. "A fazenda é monitorada por câmeras, então toda entrada e saída de visitante, todo pessoal que frequenta a fazenda a gente faz um controle e a gente opta pela vigilância 24 horas", afirma o gerente de qualidade Douglas Patrocínio.
Logística da colheita
Além do reforço no monitoramento, os produtores estão alterando a logística da colheita, priorizando áreas mais vulneráveis. "Ter uma atenção na colheita das áreas. O produtor escolher, começar a colher as plantas que estão próximas às áreas urbanas, próximo às cidades, ou próximo a rodovias, pra gente poder tirar e deixar o mais longe possível dos ladrões esse fruto, principalmente o fruto no pé", explica Lucas Ubiali.
Comunicação entre produtores
Outra alternativa é a criação de grupos de mensagens para trocar informações rapidamente sobre veículos ou pessoas suspeitas circulando perto das propriedades. "São grupos de produtores pelo WhatsApp, que se comunicam para que tragam informações sobre alguma coisa que esteja acontecendo ou até mesmo um incêndio", afirma José Henrique Mendonça, presidente do Sindicato Rural de Franca.
Prisões e registros
A onda de crimes tem resultado em prisões. No último fim de semana, a Polícia Militar recuperou 16 sacas de café furtadas em Cristais Paulista (SP) e prendeu duas pessoas. No fim de abril, quatro lavradores também foram detidos por furto de café direto da lavoura. Mendonça ressalta a importância de registrar boletins de ocorrência para que as autoridades possam mapear as áreas de maior risco. "Nós precisamos do registro desse boletim de ocorrência (...) para que a gente entenda onde é que está tendo a maior ação de roubo ou furto", diz.



