Buscas por castanheiro desaparecido na Floresta do Paru são encerradas
Buscas por castanheiro desaparecido na Floresta do Paru

As forças de segurança e voluntários encerraram nesta quarta-feira (21) as buscas pelo castanheiro Jhemenson Rodrigues Gonçalves, de 33 anos, que estava desaparecido há 19 dias na Floresta Estadual do Paru, localizada na divisa entre os estados do Amapá e Pará. Morador de Laranjal do Jari, Jhemenson entrou sozinho na floresta no dia 4 de agosto e não retornou. A suspensão oficial das buscas segue os protocolos estabelecidos pelas autoridades competentes. O caso será agora investigado pela Polícia Civil do Pará.

Mobilização da família e comunidade

Nas redes sociais, a família de Jhemenson tem mobilizado a comunidade para manter as buscas por conta própria na região de mata fechada. A coleta de castanha é uma das principais atividades econômicas em Laranjal do Jari e áreas próximas do Pará. Os trabalhadores adentram a floresta para recolher os ouriços que caem naturalmente das árvores, atividade que exige conhecimento do terreno e cuidados com a segurança.

Desafios enfrentados pelas equipes de busca

As equipes de resgate enfrentaram inúmeros desafios durante as operações. O principal obstáculo foi a imensidão da floresta, que dificultou tanto o deslocamento quanto o trabalho de busca. Inicialmente, as procuras concentraram-se nas proximidades do ponto onde Jhemenson teria desaparecido. Sem obter resultados, o raio de busca foi ampliado para aproximadamente 4 quilômetros a partir do acampamento base.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Na quarta-feira (15), as buscas foram redirecionadas para outra área da floresta, com a suspeita de que o castanheiro teria atravessado um rio próximo. A região é de acesso extremamente difícil, com vegetação densa, capins cortantes e mata fechada, o que complica ainda mais as operações. Moradores locais explicam que a forma mais prática de chegar à área é por meio dos chamados “batelões”, barcos tradicionalmente usados para o transporte de castanha. O calor abafado da floresta aumenta o cansaço das equipes e dificulta a respiração, tornando o trabalho ainda mais extenuante.

Segundo José Jussian da Silva, um dos coordenadores das buscas, os grupos chegaram a caminhar por até dois dias dentro da mata, mas sem sucesso. “Percorremos cerca de 45 quilômetros fazendo barulho e observando o mato, mas não encontramos vestígios. Esse é um lado do planejamento que fizemos. Agora, vamos seguir na direção de onde paramos para fechar a região do Leste ao Sul. Estamos seguindo um planejamento em formato de quadrado, com lados de 10 quilômetros. A caminhada na vegetação é muito difícil, e por isso os 10 quilômetros acabam virando até 13”, explicou Jussian.

Comunicação e tentativas de sinalização

Para se comunicar dentro da floresta, os profissionais utilizam disparos de pistola e gritos específicos, que ecoam entre as árvores. Na terça-feira (14), moradores relataram ter ouvido tiros e acreditaram que poderiam ser do trabalhador tentando sinalizar sua localização, mas ele não foi encontrado. Outros casos de castanheiros perdidos já foram registrados na região, mas nenhum deles durou tanto tempo quanto o de Jhemenson.

As autoridades reforçam que, apesar do encerramento das buscas oficiais, a investigação sobre o desaparecimento continuará sob responsabilidade da Polícia Civil do Pará. Enquanto isso, a família e a comunidade mantêm a esperança e seguem organizando expedições voluntárias na tentativa de localizar Jhemenson.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar