Avenida John Boyd Dunlop lidera acidentes fatais em Campinas pelo sexto ano consecutivo
Avenida John Boyd Dunlop lidera acidentes fatais em Campinas

Avenida John Boyd Dunlop mantém liderança em acidentes fatais em Campinas

A Avenida John Boyd Dunlop consolidou sua posição como a via com mais acidentes fatais em Campinas pelo sexto ano consecutivo, segundo dados da plataforma Infosiga do Detran-SP. Em 2025, a avenida voltou a ocupar o topo do ranking municipal, mantendo uma triste tradição que perdura desde 2019, quando o sistema passou a contabilizar também acidentes não fatais.

Estudo da Unicamp analisa comportamento dos motoristas

Para entender os motivos por trás dessa estatística preocupante, dois professores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) percorreram os 15 quilômetros da avenida a convite da equipe de reportagem da EPTV. A análise prática revelou que o principal fator de risco é o excesso de velocidade fora dos pontos com fiscalização eletrônica.

Segundo o professor Creso de Franco Peixoto, aproximadamente 10% dos veículos circulavam acima do limite permitido de 50 km/h durante o monitoramento. Em alguns trechos, a média de velocidade antes dos radares chegou a impressionantes 70 km/h. "Antes e depois do radar, tem uma tendência a ter velocidades maiores. No radar, ele fica bonzinho, bonitinho, né? E depois do radar, ele volta a acelerar", explicou o professor, descrevendo o fenômeno que chamou de "repique de velocidade".

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Consequências graves do excesso de velocidade

O professor Luciano Aparecido Barbosa, especialista em transporte, alertou sobre as graves consequências de ultrapassar os limites de velocidade. Segundo suas análises, colisões acima de 50 km/h têm potencial para se tornarem fatais em mais de 90% dos casos, especialmente quando envolvem pedestres e motociclistas.

A John Boyd Dunlop é a avenida mais longa de Campinas, com 15 quilômetros de extensão e cerca de 60 mil veículos circulando diariamente. Desde 2019, já foram registradas 460 ocorrências na via, com números variando ano a ano:

  1. 2019 - 69 acidentes
  2. 2020 - 69 acidentes
  3. 2021 - 83 acidentes
  4. 2022 - 61 acidentes
  5. 2023 - 44 acidentes
  6. 2024 - 78 acidentes
  7. 2025 - 56 acidentes

47 cruzamentos aumentam conflitos entre veículos

Além do comportamento dos condutores, os especialistas destacaram que o grande número de cruzamentos ao longo da avenida - 47 no total - contribui significativamente para o aumento dos conflitos entre veículos, motos e pedestres. Apesar disso, os professores avaliaram que a via possui sinalização adequada e quantidade mínima necessária de radares.

"O problema está menos na estrutura e mais na forma como parte dos motoristas conduz", concluíram os especialistas, opinião corroborada por muitos condutores que circulam regularmente pela avenida.

Opinião dos motoristas e ações da Emdec

O autônomo Silmar Mendonça atribui os acidentes à imprudência e ao trânsito intenso nos horários de pico. "Além da dificuldade do trânsito, que já é pesado, tem a forma como as pessoas conduzem. Isso contribui bastante", afirmou. Já o motorista Marcos Adriano destacou o desrespeito à sinalização: "O pessoal só vai, ninguém para. O semáforo abre e parece que todo mundo quer passar primeiro".

A Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) emitiu nota explicando que a permanência da John Boyd Dunlop entre as vias com mais registros de acidentes está relacionada à sua extensão, aos 47 cruzamentos e ao alto fluxo de veículos, intensificado após a implantação dos corredores do BRT.

A empresa informou que tem realizado intervenções de geometria em pontos críticos e remanejado radares, com resultados positivos: não houve mortes em um raio de 100 metros dos novos equipamentos de fiscalização - antes da instalação, foram registrados cinco óbitos nesses locais. Segundo a Emdec, houve redução de 24% nos acidentes com vítimas e de 62% nos sinistros sem vítimas, além de zerar os atropelamentos na via.

Ranking completo das vias mais perigosas

Em 2025, a John Boyd Dunlop liderou com 56 acidentes, seguida por outras vias que também apresentaram números expressivos:

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  • Avenida John Boyd Dunlop - 56 acidentes
  • Avenida José de Sousa Campinas (Avenida Norte-Sul) - 40 acidentes
  • Avenida das Amoreiras - 34 acidentes
  • Avenida Ruy Rodrigues - 31 acidentes
  • Avenida Orosimbo Maia - 30 acidentes

Campinas: mais acidentes, mas menos mortes

O trânsito de Campinas registrou aumento nos acidentes em janeiro de 2026, com 177 ocorrências na malha urbana e rodovias - alta de 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, embora as ocorrências tenham crescido, o número de óbitos em acidentes de trânsito caiu na cidade.

Foram seis mortes em janeiro de 2026, o menor número para o mês desde 2021, quando o Infosiga contabilizou quatro óbitos. A evolução nos últimos anos mostra:

  • 2026: 6 mortes
  • 2025: 13 mortes
  • 2024: 9 mortes
  • 2023: 9 mortes
  • 2022: 7 mortes
  • 2021: 4 mortes

De acordo com o Infosiga, em relação aos acidentes no primeiro mês de 2026, o maior número de vítimas estava em motocicletas (124), seguido por automóveis (121). Isso representa uma inversão ao registrado no mesmo mês do ano anterior, quando houve 101 vítimas em carros e 97 em motos.

A Emdec continua implementando ações para reduzir o número de mortes na Avenida John Boyd Dunlop, incluindo obras de geometria para corrigir pontos críticos e o remanejamento estratégico de radares, na esperança de reverter a tendência histórica que mantém a via no topo do ranking de acidentes da cidade.