Os acidentes com motocicletas têm aumentado significativamente no estado do Rio de Janeiro. Entre janeiro e maio deste ano, o Corpo de Bombeiros atendeu a mais de 20 mil chamados envolvendo vítimas de acidentes com motos. A maioria das ocorrências foi de colisões, com mais de 13 mil registros, seguidas por quedas e atropelamentos. Esse número supera o registrado no mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados cerca de 18 mil acidentes com motos.
O aumento das ocorrências também tem impactado diretamente a rede pública de saúde. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, sete de cada dez vítimas de acidentes de trânsito atendidas nas unidades de emergência do município estavam em motocicletas. De janeiro a abril, a rede municipal registrou mais de 16 mil atendimentos relacionados a acidentes de trânsito, dos quais 11 mil eram motociclistas ou passageiros de motos. O total de atendimentos a vítimas em motos mais que dobrou na comparação com 2024.
Riscos e comportamentos perigosos
Para o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente-coronel Fábio Contreiras, a exposição do motociclista aumenta o risco de ferimentos graves. “São traumatismos em todas as partes do corpo. Diferente do carro, que tem o chassi, airbags e estrutura que absorvem a energia do impacto, na moto é o próprio corpo do motociclista que absorve toda a energia cinética do acidente”, afirmou. O militar também destacou comportamentos de risco observados diariamente no trânsito. “A gente observa avanço de sinal vermelho, motociclistas subindo em calçadas, andando na contramão em vias menores e também o uso de aplicativos de GPS durante o trabalho, o que gera distração e pode ser fatal”, completou.
Impacto nos hospitais
O secretário municipal de Saúde do Rio, Rodrigo Prado, explicou que o aumento no número de acidentes provoca impactos diretos no funcionamento dos hospitais. “O primeiro impacto é nas cirurgias eletivas, que muitas vezes precisam ser adiadas por conta da entrada de vítimas graves de acidentes de moto. Outro impacto é o tempo de internação e o custo do tratamento, porque muitos pacientes precisam passar por várias cirurgias e reabilitação.”
Relato de vítima
A jovem Danielli do Amaral Esposito está internada há seis dias no Hospital do Andaraí, na Zona Norte. Ela era passageira de uma moto por aplicativo e sofreu uma queda. “A gente estava passando pela Dutra, ele foi subir para a Linha Vermelha, acabou se desequilibrando e a gente caiu. Machuquei bastante o rosto, quebrei o pulso e agora estou aguardando cirurgia”, contou.
Ações das autoridades
A Prefeitura do Rio informou que tem adotado iniciativas de educação e conscientização voltadas aos motociclistas para tentar diminuir os índices de acidentes. Já a CET-Rio afirmou que atua 24 horas por dia no monitoramento das vias por meio de câmeras do Centro de Operações Rio e que o trabalho é integrado aos órgãos de trânsito e segurança viária. Os bombeiros reforçam a importância de respeitar as leis de trânsito para reduzir o número de acidentes graves.



