Acidente com ônibus de trabalhadores rurais deixa sete mortos e mais de 40 feridos no interior paulista
O número de vítimas fatais do grave acidente envolvendo um ônibus que transportava trabalhadores rurais na Rodovia Transbrasiliana (BR-153), no trecho entre Ocauçu e Marília, subiu para sete. A sétima morte foi confirmada pela Defesa Civil do Estado de São Paulo na tarde desta terça-feira (17), após a vítima não resistir aos ferimentos sofridos na colisão ocorrida na madrugada de segunda-feira (16). A identidade da sétima vítima ainda não foi divulgada oficialmente.
Motorista preso e investigações em andamento
O motorista que dirigia o ônibus, Claudemir Moraes Moura, foi preso em flagrante e será investigado por homicídio e lesão corporal na direção de veículo automotor. Ele está entre os feridos do acidente e permanece internado sob escolta policial no Hospital das Clínicas de Marília, aguardando alta médica para passar pela audiência de custódia.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Civil também investigará a empresa responsável pelo transporte, que pode ser responsabilizada pelas irregularidades identificadas e pela precariedade do veículo envolvido no acidente.
Causas do acidente e condições do veículo
Segundo a delegada Renata Yumi, responsável pelas investigações, o ônibus tombou após um dos pneus furar. O motorista assumiu o risco de dirigir sem um dos pneus em um dos eixos, o que pode ter colaborado para que o outro também apresentasse problemas e furasse, comprometendo a estabilidade do veículo e provocando o tombamento.
Além desse problema, o veículo apresentava outras irregularidades graves, incluindo pneus carecas e farol queimado. A delegada destacou que o motorista retirou um pneu que já tinha estourado antes do veículo entrar em São Paulo e seguiu viagem com apenas um pneu no eixo.
Viagem irregular e trabalhadores em trânsito
O ônibus fazia uma viagem de mais de 3 mil quilômetros, saindo da região norte do Maranhão com destino a Santa Catarina, onde os trabalhadores iriam atuar na colheita de maçãs. Segundo a Polícia Rodoviária Federal, a empresa responsável pelo transporte não tinha autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para fretamento fora do estado do Maranhão, caracterizando uma viagem irregular.
A empresa, sediada no Maranhão, enviou um representante para o registro do boletim de ocorrência. "A questão da autorização para fazer a viagem e outras responsabilidades da empresa serão apuradas no inquérito policial posteriormente", completou a delegada Renata Yumi.
Vítimas identificadas e atendimento aos feridos
A Polícia Civil confirmou a identidade de seis das vítimas fatais: Edilson Da Silva Lima, 42 anos; Robson Rodrigues Alexandrino, 25 anos; Gonçalo Lisboa Dos Santos, 33 anos; Antônio Da Silva Nascimento, 47 anos; José Milton Ribeiro Reis, 49 anos; e Raimundo Nonato Sousa da Silva, 41 anos. Os corpos já foram encaminhados para o Maranhão para sepultamento.
Dos 45 feridos no acidente, 26 foram socorridos pelo Serviço Móvel de Urgência (Samu), 12 pelo policiamento da área, seis pelo Corpo de Bombeiros e um pela ambulância da concessionária. Os feridos foram distribuídos entre várias unidades de saúde de Marília:
- 11 pessoas para o Hospital das Clínicas
- 8 pessoas para a Santa Casa
- 11 pessoas para a UPA Norte
- 10 para a UPA Sul
- 3 para o Hospital da Unimar
- 2 para o Hospital Materno-Infantil
Situação dos feridos e mobilização para doações
Segundo boletim médico divulgado pelo Hospital das Clínicas, na unidade há cinco pacientes em estado grave, dois em estado considerado estável, outros dois intermediários e duas crianças, de 4 e 13 anos, estáveis no Hospital Materno-Infantil. Na Santa Casa, três pacientes estão internados na UTI com politraumas e estado grave, enquanto outros dois, também com ferimentos graves, recebem atendimento na enfermaria.
O Hemocentro de Marília emitiu um comunicado solicitando doações de sangue para o atendimento dos feridos no acidente e, na manhã desta terça-feira (17), registrou um aumento significativo nas doações. A Prefeitura de Marília também disponibilizou os serviços da Casa de Passagem Cidadã para os sobreviventes.
Relatos das vítimas e cenas do acidente
José da Silva Reis, trabalhador que perdeu o pai no acidente, detalhou o momento trágico: "[Estava] eu e outro rapaz, meu pai estava bem atrás de mim. Eu só lembro do tempo que capotou e eu já estava do lado de fora. Quando eu abracei meu pai, ele já estava morto". Após verificar o estado do pai, José ajudou outras vítimas que ainda estavam vivas, apresentando apenas ferimentos leves em uma das mãos.
Wagner da Silva Carvalho, outro trabalhador rural que estava no ônibus, relatou: "Estava dormindo. Aí, na hora, eu escutei um barulhão no pneu. Aí, aquela zoada mesmo, aí [a gente] se espantou. Aí o carro virou. Aí, nessa hora, depois que virou, eu não me lembro mais nada. Quando eu me lembrei, já estava no chão".
A perícia técnica foi acionada, e o caso foi registrado na Delegacia Seccional de Marília para apuração completa das causas do acidente. As equipes de resgate e assistência seguem prestando apoio aos feridos e familiares das vítimas.