Tecnologia de São José pode colocar primeiro foguete brasileiro em órbita
O Brasil está desenvolvendo um foguete nacional que poderá colocar satélites em órbita sem depender de outros países. Parte dessa tecnologia está sendo produzida por empresas localizadas em São José dos Campos e Jacareí, no interior de São Paulo. O projeto, denominado Microlançador Brasileiro (MLBR), é um foguete de pequeno porte, criado por um consórcio de empresas com apoio da Agência Espacial Brasileira (AEB) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Características do foguete
O MLBR terá aproximadamente 12 metros de altura, o equivalente a um prédio de quatro andares, e capacidade para transportar satélites de até 40 quilos. De acordo com a AEB, atualmente apenas países como Estados Unidos, Rússia, China e Índia possuem capacidade própria de lançar satélites ao espaço.
Uma das empresas líderes do projeto é a CENIC, sediada em São José dos Campos. Segundo os responsáveis pelo desenvolvimento, os satélites lançados poderão ser utilizados em áreas como telecomunicações, monitoramento ambiental, agricultura e defesa. O engenheiro Ralph Correa, ouvido pela Rede Vanguarda, destacou: “Desde sistemas de navegação próprios semelhantes ao GPS, passando por sistemas de observação da Terra, sensoriamento, previsões meteorológicas, ou seja, existe uma grande quantidade de aplicações possíveis.”
Participação de empresas do Vale do Paraíba
Dez empresas brasileiras participam do desenvolvimento do foguete, a maioria localizada no Vale do Paraíba, como a CENIC e a PlasmaHub, em São José dos Campos. As companhias atuam em diferentes áreas do projeto, incluindo sistemas de lançamento, aerodinâmica e desenvolvimento de tecnologia espacial. Toshiaki Yoshino, diretor de programas, afirmou: “É uma atividade técnica de engenharia bastante complexa. E todo mundo gosta de dizer desafio, né? Então, aqui o pessoal trabalha com essa motivação. Para o Brasil conseguir autonomia no lançamento desses foguetes é como conquistar uma chave que abre as portas para o espaço. No mundo, pouquíssimos países possuem essa chave.”
Cronograma e investimento
A expectativa é que o primeiro lançamento ocorra a partir de 2027, após a conclusão das etapas de testes e qualificação dos sistemas. O lançamento deverá ser realizado no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, localização estratégica por sua proximidade com a linha do Equador. O projeto recebeu investimento de R$ 189 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, em parceria com a AEB.
Se bem-sucedido, o lançamento colocará o Brasil em uma lista seleta de países com Acesso Independente ao Espaço, ou seja, capazes de produzir satélites, ter base de lançamento própria e fabricar seus próprios foguetes. O engenheiro de sistemas Raphael Galate comemorou: “É muito gratificante, porque mostra que a gente consegue fazer tecnologia de ponta no Brasil, não só aquilo pelo que a gente é muito conhecido lá fora, como a nossa cultura, mas também mostrar que a gente é capaz de fazer coisas que são exemplo para o mundo todo em termos de tecnologia.”



