O cantor e compositor Seu Jorge lançou nesta sexta-feira (8 de maio) o aguardado álbum 'The Other Side', o primeiro trabalho solo do artista em oito anos. O disco, que teve gravações concluídas em dezembro de 2018, chega ao público com uma sonoridade refinada e repertório que finalmente faz jus à voz grave e marcante do intérprete carioca.
Um manifesto de resiliência
O álbum abre com 'Crença', de Milton Nascimento e Márcio Borges, cujos versos iniciais – “Eu sei que venho lutando / Com esta vida de desvalença / Eu sei que luto sozinho / Pois ninguém nunca me ajudou” – soam como um manifesto pessoal de Jorge Mário da Silva, que iniciou sua carreira solo há 25 anos, após sair do grupo Farofa Carioca.
A produção orquestral
A produção musical é assinada pelo próprio Seu Jorge em parceria com Mario Caldato Jr., o mesmo produtor de seu álbum de estreia, 'Samba esporte fino' (2001). Os arranjos orquestrais ficaram a cargo de Miguel Atwood-Ferguson, cuja maestria é exemplificada em faixas como 'Vento de maio', canção de Telo Borges e Marcio Borges que ganha uma interpretação majestosa com a participação de Maria Rita.
A parceria entre Seu Jorge e Maria Rita eleva a canção a novas atmosferas, com tons expansivos que destacam a potência vocal de ambos. Em contraste, a faixa 'Girl you move me', original da banda canadense Cane and Able, é apresentada em tom sereno, com violão e canto que remetem à bossa nova de João Gilberto.
Repertório diverso
O álbum mescla regravações e inéditas. Entre as surpresas, está 'Caboclo', de Arthur Verocai e Vitor Martins, que ganha uma roupagem rocker com guitarra atmosférica de Michael Valeanu. Já 'Folia de amor' e 'Quando chego' – esta última com participação de Marisa Monte e coautoria de Arnaldo Antunes – exploram o samba tradicional com refinamento.
A faixa 'Far from the sea', regravação de música de Robertinho Brant e Emerson Penha que foi lançada por Bebel Gilberto, traz vocais adicionais do quarteto belga Zap Mama, criando uma atmosfera íntima. Outro destaque é 'River man', de Nick Drake, interpretada em dueto com o cantor britânico Beck, em um belo encontro de vozes graves.
Encerramento e legado
O álbum se encerra com 'Beleza bárbara', um samba-canção de quase oito minutos, com sax tocado pelo próprio Seu Jorge e clarinete de Pedro Dom. A faixa sintetiza a dualidade do disco: a leveza do balanço da bossa e a suntuosidade dos arranjos orquestrais.
'The Other Side' é, sem dúvida, o melhor álbum da carreira solo de Seu Jorge, combinando canto, repertório e arranjos de forma refinada. Após 17 anos de idealização – desde 2009 – a espera valeu a pena.



