Anthropic critica OpenAI em comerciais do Super Bowl com música de Dr. Dre
Anthropic ataca OpenAI em comerciais do Super Bowl

Anthropic lança farpa à OpenAI em comerciais do Super Bowl com trilha de Dr. Dre

A Anthropic, empresa responsável pela inteligência artificial Claude, escolheu um cenário de alto impacto para enviar uma mensagem contundente ao mercado. Durante os comerciais do Super Bowl deste domingo (8), a empresa embalou suas peças publicitárias com a música "What's the Difference" de Dr. Dre, encerrando cada anúncio com a pergunta icônica da canção: "qual é a diferença entre mim e você?".

Crítica direta à estratégia de anúncios da OpenAI

Os quatro comerciais, intitulados "Violação", "Traição", "Engano" e "Perseguição", satirizam de forma hilariante a inserção de propagandas em interações com chatbots. Em uma das peças, um jovem busca orientação para conseguir "barriga tanquinho rápido", mas o assistente de IA personificado interrompe o plano fitness para promover palmilhas que aumentam a altura, oferecendo até cupom de desconto.

O objetivo era claro: criticar publicamente a OpenAI, que anunciou em janeiro testes com anúncios na versão gratuita do ChatGPT para usuários adultos nos Estados Unidos. A Anthropic reafirmou que seu chatbot Claude seguirá sem publicidade, posicionando-se como alternativa ética no setor.

Resposta imediata de Sam Altman e acirramento da rivalidade

Sam Altman, CEO da OpenAI, não deixou a provocação passar em branco. Em publicação no X (antigo Twitter), ele classificou as peças como "engraçadas" mas com mensagem final "claramente desonesta". "Imagino que seja típico da Anthropic usar um anúncio enganoso para criticar anúncios enganosos teóricos que não existem de verdade", escreveu Altman na quarta-feira (4).

O executivo defendeu que os anúncios no ChatGPT não seguirão o modelo satirizado, garantindo que a OpenAI não é "ingênua" e conhece a rejeição dos usuários a formatos intrusivos. A resposta pública evidenciou a rivalidade histórica entre as empresas, cujos fundadores da Anthropic são ex-funcionários da OpenAI que deixaram a companhia por divergências sobre desenvolvimento, segurança e ritmo de crescimento.

Contexto estratégico e financeiro por trás do embate

A introdução de anúncios no ChatGPT ocorre em momento crucial para a OpenAI, que busca aumentar receitas para sustentar investimentos massivos. A empresa prometeu US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de IA nos próximos oito anos e prepara um IPO para o quarto trimestre de 2026.

O movimento acontece paralelamente a desconfianças do mercado sobre sustentabilidade dos investimentos em IA. Nesta semana, cerca de US$ 285 bilhões saíram de setores como software e serviços financeiros nos índices S&P500 e Nasdaq, refletindo temores de bolha tecnológica. Gigantes como Alphabet (Google) e Amazon projetam gastos de capital que somarão aproximadamente US$ 650 bilhões em 2026 para data centers e equipamentos.

Diferenças fundamentais nos modelos de negócio

Enquanto a OpenAI aposta em acesso gratuito com anúncios para "levar IA a bilhões de pessoas", a Anthropic defende modelo baseado em contratos comerciais e assinaturas pagas. Dario Amodei, CEO da Anthropic, afirmou no Fórum Econômico Mundial que a empresa não precisa "maximizar engajamento de um bilhão de usuários gratuitos" por não estar em "corrida mortal" com concorrentes.

A empresa fundamenta sua política de não anúncios no princípio "ser genuinamente prestativo", parte da "Constituição de Claude" que guia o treinamento do modelo. "Um modelo de negócios baseado em publicidade introduziria incentivos que poderiam ir contra esse princípio", declarou a Anthropic em publicação oficial.

Super Bowl como palco estratégico do confronto

A escolha do Super Bowl não foi aleatória. O evento, que atraiu 127,7 milhões de telespectadores em 2025, representa oportunidade única de alcance massivo. Marcas globais pagam mais de US$ 10 milhões por comerciais de 30 segundos, tornando-o vitrine ideal para mensagens corporativas.

A OpenAI também exibirá comercial próprio neste domingo, descrito por Altman como "sobre construtores e como qualquer pessoa agora pode construir qualquer coisa". O embate publicitário reacende debates cruciais sobre monetização, ética e confiança na inteligência artificial, definindo rumos competitivos do setor.