Artemis 2 quebra recorde histórico de distância da Terra em missão lunar
Artemis 2 quebra recorde de distância da Terra em missão lunar

Artemis 2 marca novo recorde histórico de distância da Terra em missão lunar

A fase mais significativa e emblemática da missão Artemis 2 aconteceu nesta segunda-feira (6) e começou com uma quebra de recorde histórico. A partir das 14h57 (horário de Brasília), os astronautas Reid Wiseman, 50 anos, Victor Glover, 49 anos, Christina Koch, 47 anos, e Jeremy Hansen, 50 anos, tornaram-se os humanos a viajar mais longe da Terra, superando o recorde estabelecido pela tripulação da Apollo 13 em 1970, que esteve a 400.171 quilômetros do planeta em 15 de abril daquele ano.

Homenagem aos pioneiros e desafio para as futuras gerações

Ao ser informado do marco, Reid Wiseman, comandante da missão, destacou o evento com uma mensagem inspiradora. "Conforme ultrapassamos a maior distância que humanos já viajaram do planeta Terra, o fazemos honrando os esforços extraordinários de nossos predecessores na exploração humana do espaço", afirmou. "Continuaremos em nossa viagem indo ainda mais longe no espaço antes que a Mãe Terra trate de nos puxar de volta para tudo que amamos. Mas nós, de forma mais importante, escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima a assegurar que esse recorde não seja duradouro."

Enquanto o recorde anterior foi alcançado sob estresse extremo, devido a uma falha catastrófica que impediu a alunissagem e obrigou os astronautas a usarem o módulo lunar como bote salva-vidas, este novo marco ocorreu em absoluta tranquilidade. Os astronautas foram acordados ao som de "Good Morning", de Mandisa e TobyMac, e também ouviram uma mensagem pré-gravada pelo astronauta Jim Lovell, falecido em 2025.

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Mensagem emocionante de Jim Lovell e início das observações lunares

Jim Lovell, que participou de duas missões lunares, incluindo a Apollo 13, enfatizou em sua gravação sua jornada mais bem-sucedida. "Olá, Artemis 2! Aqui é o astronauta da Apollo Jim Lovell. Bem-vindos à minha velha vizinhança!", disse. "Quando Frank Borman, Bill Anders e eu orbitamos a Lua na Apollo 8, demos a primeira olhada próxima da humanidade da Lua e tivemos uma vista do planeta natal que inspirou e uniu pessoas ao redor do mundo. Estou orgulhoso de passar essa tocha a vocês - conforme vocês contornam a Lua e constroem os alicerces para missões a Marte... em benefício de todos."

Este foi apenas o início de um dia intenso. Enquanto os astronautas dormiam, às 1h41, a cápsula Orion entrou na esfera de influência da Lua, marcando simbolicamente o começo do sobrevoo, ainda a mais de 66 mil quilômetros da superfície lunar. Um pequeno ajuste de trajetória foi realizado às 0h03, colocando a nave na rota planejada para a aproximação e contorno da Lua.

Atividades da tripulação e momentos críticos da missão

No dia anterior, os astronautas realizaram testes de seus trajes espaciais, com pressurização e verificações de vazamento, similares aos feitos antes da decolagem, mas sem o suporte direto de uma equipe de apoio. Ao longo das horas, a Orion continuou se afastando da Terra e se aproximando da Lua.

O principal trabalho da tripulação foi realizar observações da superfície lunar, começando às 15h45. O oficial de ciência no controle da missão forneceu 30 alvos para inspeção próxima, incluindo observações a olho nu e captura de fotografias. Dois dos destaques foram as bacias Orientale e Hertzprung, crateras de impacto gigantescas no lado afastado da Lua, nunca visíveis da Terra.

O período de observação estendeu-se até as 22h20, durante o contorno da Lua, permitindo que os alvos fossem vistos de vários ângulos e distâncias diferentes. Essa mudança de perspectiva é uma das vantagens da Artemis 2 sobre missões robóticas anteriores.

Recorde de distância e blecaute de comunicações

A aproximação máxima da Lua ocorreu às 20h02, quando a Orion estava a 6.550 quilômetros da superfície. Cinco minutos depois, a cápsula estabeleceu o novo recorde de maior distância da Terra, a 406.773 quilômetros do planeta. Embora a NASA estivesse transmitindo ao vivo imagens das câmeras externas da Orion, esses momentos não puderam ser acompanhados em tempo real devido a um blecaute temporário nas comunicações, causado pela posição da espaçonave atrás da Lua, entre 19h44 e 20h25.

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Durante esse blecaute, os astronautas testemunharam o "pôr da Terra" e o "nascer da Terra" em relação à Lua, imagens que prometem ser tão icônicas quanto as da Apollo 8. Outro fenômeno astronômico ocorreu entre 21h31 e 22h32, quando a Lua bloqueou o Sol, proporcionando um eclipse monitorado pela tripulação.

Todos esses eventos dependem das leis da física, mas o controle da missão aguardou ansiosamente pela retomada das comunicações e pela transmissão das imagens capturadas pelos astronautas, marcando o primeiro sobrevoo lunar tripulado do século 21.