Variante BA.3.2 da Ômicron apresenta baixo risco à saúde pública, afirmam virologistas
De acordo com as evidências científicas conhecidas até o momento, a sublinhagem BA.3.2 da variante Ômicron da Covid-19 representa um baixo risco à saúde pública quando comparada a outras descendentes da mesma cepa. A afirmação foi feita pela Rede Global de Vírus (Global Virus Network), que reúne virologistas de mais de 90 centros de excelência em virologia presentes em mais de 40 países ao redor do mundo.
Dados epidemiológicos e situação no Brasil
Não foi observado um aumento significativo de casos graves, hospitalizações ou mortes relacionadas especificamente à variante BA.3.2. Esta sublinhagem está presente em pelo menos 23 países, incluindo os Estados Unidos. No entanto, a variante ainda não foi identificada no Brasil, conforme o informe Vigilância das Síndromes Gripais do Ministério da Saúde, com dados atualizados até 28 de março.
Apesar do aumento da probabilidade de infecção ou reinfecção, o contato com a variante não implica redução da proteção contra formas graves da doença. Tais mudanças são consistentes com a evolução esperada do SARS-CoV-2 e de outros vírus respiratórios comuns.
Imunidade da população e papel das vacinas
Fernando Spilki, virologista da Universidade Feevale e coordenador do Comitê Gestor da Rede Vírus do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, explica que a maioria das pessoas está vacinada e teve contato com o vírus selvagem na comunidade, além de diferentes cepas que circularam ao longo do tempo.
"A população imunizada de acordo com a constância determinada pelas autoridades sanitárias tem uma imunidade robusta o suficiente para não evoluir para as formas mais graves caso se infecte", afirma o pesquisador.
Especialistas dizem não ver motivos para alarme, mas reforçam que a vigilância epidemiológica precisa ser constante e contínua. A população deve:
- Se informar sobre as vacinas recomendadas contra a Covid-19
- Adotar boas práticas de higiene e precaução respiratória quando necessário
- Procurar exames e orientação médica caso apresente sintomas da doença
Eficácia das vacinas e atualizações necessárias
No Brasil, as vacinas ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são atualizadas conforme as cepas em circulação. Os imunizantes disponíveis protegem contra casos graves e óbitos por Covid-19. Além disso, segundo Fernando Spilki, há evidências de que a última versão da vacina contra a Covid confere algum grau de proteção contra a BA.3.2.
"O que se imagina é que ela [a vacina] vá continuar baixando a transmissão da doença. Mas é preciso mensurar para a próxima temporada se haverá necessidade de um update vacinal com a BA.3.2", explica o virologista.
"Quando olhamos para alguns locais que ainda mantêm a vigilância relativamente alta, o que é difícil atualmente, notamos que ela [BA.3.2] continua disputando espaço com outras variantes e que a vacina está defendendo, sim. Do ponto de vista da população, ela continua fazendo o seu serviço", finaliza Spilki.
Importância da vacinação e grupos prioritários
A campanha de vacinação contra a gripe no SUS representa uma oportunidade valiosa para também iniciar ou completar o esquema vacinal contra a Covid-19. Evaldo Stanislau de Araújo, infectologista do Hospital das Clínicas de São Paulo, reforça a recomendação especialmente para:
- Idosos
- Crianças
- Imunossuprimidos
- Doentes crônicos não vacinados ou com calendário incompleto
"De forma geral, havendo queda da imunidade, o que pode ocorrer é um aumento de casos, com potencial de gravidade", alerta Araújo.
Os especialistas concordam que, embora a BA.3.2 represente um risco menor, a manutenção das medidas preventivas e a atualização do calendário vacinal seguem sendo fundamentais para o controle da pandemia e proteção da saúde pública.



