Empresa de IA de Elon Musk enfrenta turbulência interna e investigação europeia
A semana passada foi marcada por dois acontecimentos significativos envolvendo empresas do bilionário Elon Musk. Enquanto sua empresa de inteligência artificial, xAI, registrava a saída de mais um cofundador, reduzindo para metade o número de fundadores originais, a Comissão Europeia anunciava a abertura de uma investigação formal contra o Grok, ferramenta de IA da rede social X.
Jimmy Ba é o mais recente a deixar a xAI
O cofundador Jimmy Ba tornou-se o mais recente a abandonar a xAI, empresa de inteligência artificial fundada por Elon Musk. Em publicação na rede social X, Ba expressou gratidão ao empresário: "Sou grato por ter ajudado desde o início. Um enorme agradecimento a Elon Musk por nos reunir nessa jornada incrível".
O executivo acrescentou: "Tenho muito orgulho do que a xAI construiu e continuarei próximo como amigo da equipe. Obrigado por todo o trabalho realizado em conjunto. As pessoas e o espírito de equipe são os verdadeiros tesouros deste lugar".
Segundo informações do Business Insider, que consultou fontes próximas à xAI, Ba era responsável por grande parte das operações da empresa até o final do ano passado. No entanto, suas responsabilidades foram redistribuídas entre outros dois cofundadores, Tony Wu e Guodong Zhang.
A situação tornou-se mais complexa quando Wu deixou a empresa apenas dois dias antes de Ba, forçando a xAI a realizar uma nova reestruturação organizacional. Com essas saídas, a empresa agora conta com apenas seis dos doze fundadores originais.
Comissão Europeia investiga o Grok por deepfakes
Enquanto isso, do outro lado do Atlântico, a Comissão Europeia anunciou a abertura de uma investigação contra o Grok, ferramenta de inteligência artificial da rede social X, por disseminação de imagens sexualmente explícitas manipuladas na União Europeia.
Em comunicado oficial divulgado em Bruxelas, o órgão executivo da UE informou sobre o novo processo formal contra o X, baseado na Lei dos Serviços Digitais. O objetivo é "avaliar se a empresa avaliou e mitigou adequadamente os riscos associados à implementação das funcionalidades do Grok na UE".
A Comissão Europeia especificou que "esses riscos incluem a disseminação de conteúdos ilegais na UE, como imagens sexualmente explícitas manipuladas, incluindo conteúdos que possam constituir material de abuso sexual infantil". A instituição acusou o X de "expor os cidadãos da União a danos graves".
Investigação prioritária e possíveis consequências
A investigação, tratada como prioritária, analisará profundamente se o X cumpre, com o Grok, suas obrigações previstas na Lei dos Serviços Digitais. O foco estará especialmente na prevenção da disseminação de conteúdos ilegais, nos efeitos negativos relacionados à violência de gênero e na comunicação adequada das avaliações de risco a Bruxelas.
A apuração envolve especificamente a introdução de uma funcionalidade que permite a criação de conteúdos manipulados, conhecidos como deepfakes. A Comissão Europeia também ampliou outra investigação já em curso, iniciada em dezembro de 2023, sobre o cumprimento, por parte do X, das obrigações de gestão de riscos associadas aos seus sistemas de recomendação.
Bruxelas pretende verificar "o impacto da recente mudança anunciada para um sistema de recomendação baseado no Grok". Caso as acusações sejam confirmadas, poderão ser caracterizadas diversas infrações à legislação europeia, sujeitas à aplicação de multas significativas.
A Comissão Europeia informou que continuará reunindo provas, inclusive por meio de novos pedidos de informação, entrevistas e inspeções. Também poderá impor medidas provisórias caso não haja ajustes relevantes no serviço do X.
Contexto regulatório e tensões internacionais
O Grok é uma ferramenta de inteligência artificial desenvolvida desde 2024 pelo X, rede social do empresário norte-americano Elon Musk, que permite aos usuários gerar e editar textos e imagens, além de fornecer informações contextuais às publicações.
A União Europeia tornou-se a primeira jurisdição do mundo a adotar regras específicas para plataformas digitais, obrigando-as a remover conteúdos ilegais e nocivos no âmbito da nova Lei dos Serviços Digitais. A legislação foi criada para proteger os direitos fundamentais dos usuários online na UE e representa um marco regulatório inédito no ambiente digital.
Essas regras mais rigorosas têm gerado tensão entre Bruxelas e Washington, especialmente diante do apoio do governo norte-americano às grandes plataformas digitais. Os Estados Unidos argumentam que as recentes leis europeias criam barreiras não tarifárias que prejudicam suas gigantes de tecnologia, como Google, Amazon e Meta.
Apesar das críticas norte-americanas, a Comissão Europeia já aplicou multas com base na nova legislação, demonstrando seu compromisso com a regulamentação do ambiente digital e a proteção dos cidadãos europeus contra conteúdos prejudiciais e desinformação.