Pesquisa revela que 88% dos brasileiros têm ideias com IA mas não conseguem executá-las
88% dos brasileiros têm ideias com IA mas não executam

Pesquisa revela que 88% dos brasileiros têm ideias com IA mas não conseguem executá-las

Uma pesquisa realizada pela escola de negócios Conquer, envolvendo 500 profissionais de diversos setores e regiões do Brasil, trouxe à tona um cenário preocupante: 88% dos entrevistados afirmam ter tido ideias para criar algo com inteligência artificial, como produtos, automações ou soluções inovadoras, mas não conseguem concretizá-las. Esse dado destaca uma lacuna significativa entre a intenção e a execução no uso da tecnologia.

Maioria se define como usuários básicos

Segundo o levantamento, 56,6% dos respondentes se classificam como usuários básicos, utilizando ferramentas como ChatGPT ou Gemini principalmente para tarefas simples, como escrever textos, responder dúvidas ou gerar imagens. Apenas 11,6% alcançam o nível de construtores, profissionais que desenvolvem aplicações estruturadas ou soluções mais complexas com apoio da IA.

Essa disparidade reflete uma realidade em que, embora a inteligência artificial seja amplamente conhecida – conforme pesquisa anterior da Fundação Itaú/Datafolha, 82% dos brasileiros já ouviram falar de IA –, seu uso prático e aprofundado ainda é limitado. A amostragem de 500 pessoas, embora pequena, serve como um indicativo valioso para entender as barreiras enfrentadas pelos profissionais.

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Principais obstáculos para a execução

Os entrevistados apontaram cinco razões principais que impedem a realização de seus projetos com IA:

  • Falta de conhecimento técnico (41%)
  • Preocupações com segurança de dados (35%)
  • Dificuldade de escolher as ferramentas certas (32%)
  • Falta de tempo no dia a dia (28,2%)
  • Ausência de incentivo das empresas (21,6%)

Esses fatores combinados criam um ciclo em que as ideias não saem do papel, perpetuando o uso superficial da tecnologia.

Medo de ficar para trás no mercado de trabalho

Um aspecto alarmante da pesquisa é que 80% dos profissionais acreditam que, nos próximos anos, aqueles que apenas usam IA serão substituídos por quem sabe idealizar e construir com ela. Isso gera um sentimento de ansiedade e risco profissional, onde indivíduos têm ideias promissoras, não conseguem executá-las e, ao mesmo tempo, temem perder espaço no mercado.

Alvaro Leme, jornalista e doutorando em Ciências da Comunicação, comenta que esse cenário pode levar a comportamentos inadequados, como o uso de IAs para suporte emocional, prática que ele desaconselha fortemente. Ele ressalta a importância de desenvolver uma literacia generativa – conceito proposto em seu doutorado – para melhorar o entendimento e aplicação da tecnologia.

Implicações para o futuro profissional

A pesquisa da Conquer não apenas mapeia os desafios atuais, mas também sinaliza a necessidade urgente de capacitação e apoio empresarial. Sem iniciativas para superar os obstáculos técnicos e organizacionais, muitos profissionais podem continuar estagnados, ampliando a lacuna entre usuários básicos e construtores de soluções com IA.

Em um mundo onde a tecnologia avança rapidamente, a habilidade de não apenas usar, mas criar com inteligência artificial, pode se tornar um diferencial crucial para a carreira e inovação no Brasil.

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