Uma pesquisa inédita, conduzida por uma equipe internacional de astrônomos e apoiada pelo telescópio James Webb, revelou o mapa mais detalhado já produzido da teia cósmica, a estrutura que funciona como o 'esqueleto' do universo. O estudo catalogou impressionantes 164 mil galáxias, permitindo que os cientistas observassem o cosmos em uma fase extremamente jovem, quando tinha apenas 1 bilhão de anos. Essa descoberta desvenda arranjos de matéria escura que antes eram invisíveis para os instrumentos disponíveis.
O que é a teia cósmica?
A teia cósmica é a forma como a matéria se organiza no universo. Diferentemente de uma distribuição uniforme, as galáxias se alinham ao longo de estruturas tridimensionais em rede, compostas por gás e matéria escura. Essa arquitetura colossal se estende por bilhões de anos-luz e é fundamental para entender a evolução do cosmos. Ao observar galáxias distantes que compõem essa teia, os pesquisadores estão, na verdade, olhando para o passado: a luz dessas estruturas leva bilhões de anos para chegar à Terra, revelando como elas eram em épocas remotas.
Detalhes da pesquisa
O levantamento, publicado no The Astrophysical Journal em 6 de maio de 2026, foi liderado por cientistas da Universidade da Califórnia em Riverside (UCR), nos Estados Unidos, e contou com a participação de pesquisadores da Alemanha, Chile, Dinamarca, França e Japão. O mapa foi disponibilizado gratuitamente na internet, permitindo que qualquer pessoa explore as estruturas identificadas. Os fragmentos da teia cósmica rastreados correspondem a uma época em que o universo tinha apenas 1 bilhão de anos, uma fração de sua idade atual de 13,8 bilhões de anos.
O papel do telescópio James Webb
As imagens mais detalhadas só foram possíveis graças ao telescópio James Webb, da Nasa. Lançado em 25 de dezembro de 2021 e operacional desde 2022, o James Webb estuda todas as fases da história do universo. Este levantamento de dados é o maior já realizado pelo telescópio. Segundo os pesquisadores, o diferencial do James Webb está em sua capacidade de registrar com maior alcance e nitidez, especialmente no infravermelho. Essa característica permite atravessar a poeira cósmica e identificar galáxias que antes passavam despercebidas.
Antes do James Webb, as imagens da teia cósmica exibiam estruturas que pareciam únicas. No entanto, o novo mapa revelou que, na verdade, existiam arranjos menores e um número muito maior de galáxias do que se imaginava. Essa descoberta abre novas perspectivas para o estudo da formação e evolução das galáxias, bem como para a compreensão da matéria escura que compõe grande parte do universo.



