O contato direto com animais selvagens raramente vai além da imaginação. Estar frente a frente com essas espécies já é incomum; tocá-las parece impossível. No entanto, a taxidermia, técnica popularmente conhecida como empalhamento, torna essa experiência mais próxima da realidade. Um exemplo é o museu do Sítio Reino Animal, em Votorantim (SP), que reúne diversas espécies preservadas por meio desse procedimento, que busca recriar a aparência do animal em vida. O espaço também mantém parcerias com a Universidade de São Paulo (USP) e o Museu Catavento.
Importância do museu para a educação ambiental
No Dia Internacional dos Museus, o g1 visitou o acervo e conversou com a bióloga responsável, Carolina Martins Souto, para entender a importância do museu para a educação ambiental e o processo de taxidermia. "O museu desempenha um papel muito importante na sensibilização ambiental, especialmente quando falamos sobre espécies da fauna nativa. As peças taxidermizadas permitem um tipo de contato que muitas pessoas talvez nunca teriam na natureza, principalmente com animais de difícil observação ou que exigem distância segura", afirma.
Entre os animais em exposição estão avestruz, filhote de leão e raposa. As peças preservam pelagem, dentes, olhos e outras características naturais de cada espécie. Os visitantes podem tocar nos exemplares, desde que acompanhados por uma equipe de monitoria. A lista completa inclui: avestruz (esqueleto e taxidermizado), filhote de leão, cervo-sambar, cervo-capra, cervo-dama, coleção de conchas, coleção de ovos (avestruz, ganso, ema, cisne e aves ornamentais), macaco-caranguejeiro, capivara, raposa, ratão-do-banhado, cotia, jabuti, seriema, cisne-branco e biguá.
De acordo com a bióloga, as peças ficam posicionadas em pequenos recintos com painéis de identificação, que informam o nome do animal, o local onde vivia e outras informações relevantes. "Nosso museu é um espaço voltado à ecologia e à educação ambiental. A seleção dos animais está diretamente relacionada ao propósito educativo e à abordagem dos sistemas ecológicos que queremos apresentar ao público", explica.
Experiência dos visitantes
O g1 também conversou com duas visitantes, mãe e filha, que estiveram recentemente no museu. Thairine Cordeiro e Sônia Cristina de Oliveira relataram que, no início, o espaço assusta por reunir animais mortos, mas a experiência se torna cada vez mais interessante. "No começo, achamos os animais empalhados esquisitos. Mas, com o tempo, tudo ficou mais interessante. Não sabíamos como eram a textura e os pelos dos animais que víamos por vídeos e fotos. No museu, conseguimos finalmente realizar essa curiosidade. A experiência foi muito legal", relatam.
Carolina explica que grande parte das peças faz parte de uma herança do antigo Parque do Matão, área de preservação ambiental e lazer. Outras são preparadas internamente, principalmente de animais domésticos. "Como muitos exemplares vieram de doações de outros museus e instituições, nem sempre temos acesso ao histórico completo de cada animal. Ainda assim, é bastante provável que parte do acervo esteja relacionada a projetos de conservação, resgate ou preservação da fauna", diz.
Objetivo principal: reflexão sobre ações humanas
Mais do que focar na história individual de cada exemplar, o objetivo principal do museu é estimular a reflexão sobre o impacto das ações humanas e sobre o que cada pessoa pode fazer para contribuir com a proteção da fauna. "O material proporciona uma experiência sensorial que aproxima o visitante da biodiversidade e contribui para despertar empatia, curiosidade e consciência ambiental. Assim, o museu se torna um espaço de aprendizado, reflexão e incentivo à preservação das espécies", explica.
O que é taxidermia?
A taxidermia, ou empalhamento, é uma técnica que preserva a pele, a forma e o tamanho de um animal morto para fins de estudo científico, educação ambiental, acervos de museus ou, até mesmo, como memorial de animais de estimação. Carolina explica que o processo varia de acordo com a técnica utilizada e a finalidade da peça. Existem diferentes formas de conservação: preservação em via úmida, preparação osteológica (montagem de ossos e esqueletos) e taxidermia artística. "O tempo de preparação depende de diversos fatores, como o tamanho do animal, suas características físicas e o objetivo educativo ou científico da peça. As aves, por exemplo, exigem um cuidado maior devido à preservação das penas", diz.
No caso do museu, muitas peças têm finalidade educativa, e todo o processo é pensado previamente para garantir a melhor técnica de conservação e uso em atividades de monitoria e educação ambiental. "Os museus vão muito além da comunicação, do lazer e da exposição de peças. Eles também têm funções fundamentais na preservação do patrimônio biológico, na produção de conhecimento e na educação da sociedade", finaliza.
O Sítio Reino Animal está localizado na Rua B, nº 148, Bairro dos Morros, em Votorantim.



