SUS amplia vacinação contra bronquiolite para bebês prematuros a partir de fevereiro
O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (4), uma medida crucial para a saúde infantil: a partir de fevereiro, o Sistema Único de Saúde (SUS) passará a ofertar a vacina contra a bronquiolite para bebês prematuros e crianças com comorbidades. Esta decisão representa um avanço significativo na proteção de um dos grupos mais vulneráveis a doenças respiratórias graves.
Campinas aguarda repasse do imunizante
Após o anúncio federal, a cidade de Campinas, no interior de São Paulo, aguarda o repasse do imunizante pelo governo estadual para iniciar a aplicação. A vacina é destinada a combater o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite, uma das maiores responsáveis por internações hospitalares em bebês.
Em 2025, Campinas registrou 1.183 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) causados pelo VSR, com a maioria ocorrendo em bebês menores de 1 ano. No período, foram contabilizados 14 óbitos relacionados à doença, destacando a urgência de medidas preventivas.
Expansão da vacinação na rede pública
O imunizante contra a bronquiolite começou a ser oferecido pela primeira vez na rede pública em dezembro do ano passado, inicialmente para gestantes. A estratégia visava a transferência de anticorpos pela placenta, protegendo os recém-nascidos indiretamente.
Agora, o foco se desloca para os próprios bebês, que constituem o público mais suscetível aos efeitos graves da doença. Segundo a pediatra e professora de medicina Lívia Franco, esta expansão é uma vitória com potencial para salvar muitas vidas.
"Quanto mais nova for a criança, mais comum é o quadro de bronquiolite. E também mais grave pode ser o desfecho da doença. Crianças com comorbidades e prematuridade são condições que podem agravar ainda mais a situação", explica a médica.
Critérios para receber a vacina
A vacinação será direcionada a dois grupos principais:
- Bebês nascidos com menos de 37 semanas de gestação.
- Bebês de até dois anos de idade que apresentem comorbidades específicas.
Entre as comorbidades que garantem o direito à vacinação estão:
- Doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia).
- Cardiopatia congênita.
- Anomalias das vias aéreas.
- Doença neuromuscular.
- Fibrose cística.
- Imunocomprometimento grave.
- Síndrome de Down, entre outras condições.
Recomendações médicas e prevenção
Segundo Lívia Franco, o ideal é que bebês prematuros recebam o imunizante o mais cedo possível, preferencialmente ainda na maternidade. Já as crianças com comorbidades devem receber duas doses, considerando a sazonalidade do vírus, que costuma se intensificar a partir de março.
"A recomendação é proteger principalmente nos dois primeiros anos de vida, que são os mais críticos tanto para contrair a bronquiolite quanto para desenvolver formas graves da doença", reforça a especialista.
Além da vacinação, a médica destaca outras formas essenciais de prevenção:
- Higienização frequente das mãos.
- Evitar visitas e aglomerações nos primeiros meses de vida do bebê.
- Cuidados redobrados com recém-nascidos que ainda não têm o sistema imunológico totalmente formado.
Esta iniciativa do SUS surge em um contexto preocupante: em 2025, os casos de vírus sincicial respiratório aumentaram 46% na região de Campinas, sublinhando a importância de ações preventivas robustas para proteger a saúde das crianças mais vulneráveis.



