Surto de Ebola: 7 pontos para entender a crise na República Democrática do Congo
Surto de Ebola: 7 pontos para entender a crise no Congo

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um balanço preocupante sobre o atual surto de Ebola na República Democrática do Congo. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou nesta segunda-feira que já foram registradas 220 mortes suspeitas. Em uma declaração, ele reconheceu que as equipes de resposta estão “correndo atrás do prejuízo” e que é “provável que a situação piore antes de melhorar”.

Os desafios apontados pela OMS

Tedros listou três fatores que justificam essa análise preocupante:

  • Detecção tardia do surto: a demora em identificar os primeiros casos permitiu que a epidemia avançasse rapidamente, colocando as equipes de saúde em desvantagem.
  • Conflitos armados e desconfiança: a intensificação dos conflitos nas províncias de Ituri e North Kivu, aliada à desconfiança de comunidades locais em relação a autoridades externas, dificulta o trabalho de contenção.
  • Falta de vacinas e tratamentos: para a cepa Bundibugyo do vírus, ainda não existem vacinas ou terapias aprovadas, o que limita as opções de combate.

“Estamos ampliando urgentemente as operações, mas, neste momento, a epidemia está nos ultrapassando”, disse Tedros. Ele também alertou que os países vizinhos ao Congo — epicentro do surto — devem agir imediatamente para evitar a propagação.

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Casos em Uganda

Nesta segunda-feira, Uganda confirmou mais dois casos de Ebola, elevando para sete o total de infecções no país. A OMS já declarou o surto da rara cepa Bundibugyo como uma emergência de saúde pública de interesse internacional. Tedros anunciou que viajará ao Congo na terça-feira para acompanhar a situação.

Ataques a unidades de saúde

A situação se agravou com ataques a instalações médicas. No domingo à noite, jovens invadiram o Hospital Geral de Mongbwalu, no leste do Congo, obrigando equipes a evacuar pacientes sob tiros. O diretor médico Richard Lokudu informou que os invasores exigiam a liberação dos corpos de dois parentes. Foi o terceiro ataque em menos de uma semana contra locais de tratamento do Ebola.

No sábado, moradores incendiaram uma tenda da organização Médicos Sem Fronteiras usada para tratar casos suspeitos e confirmados. Durante o incêndio, 18 pessoas com suspeita de infecção fugiram e seguem desaparecidas. Na quinta-feira anterior, outro centro de tratamento em Rwampara foi incendiado após familiares serem impedidos de recuperar o corpo de um homem que teria morrido de Ebola.

Medidas de contenção

Autoridades congolesas alertam que os corpos das vítimas podem permanecer altamente contagiosos após a morte, aumentando o risco de transmissão em funerais e rituais. Por isso, o governo determinou que os enterros de casos suspeitos sejam realizados, sempre que possível, por autoridades sanitárias. Na sexta-feira, foram proibidos velórios e aglomerações com mais de 50 pessoas no nordeste do Congo.

A combinação de detecção tardia, conflitos, desconfiança e falta de recursos torna o combate ao Ebola um desafio imenso. A OMS e as autoridades locais trabalham para conter a epidemia, mas o cenário ainda é de incerteza.

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