Servidores de Palmas fazem protesto com caixões contra terceirização de UPAs
Protesto com caixões contra terceirização de UPAs em Palmas

Servidores de Palmas realizam protesto dramático contra terceirização das UPAs

Nesta sexta-feira (10), servidores públicos da saúde de Palmas protagonizaram um protesto impactante em frente à Secretaria Municipal de Saúde (Semus). A manifestação, organizada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Palmas (Sisemp), teve como cenário principal dois caixões que simbolizavam o que os trabalhadores chamam de "morte da saúde pública" na capital tocantinense.

Caixões representam UPAs Norte e Sul em "velório simbólico"

Os manifestantes carregaram caixões com os nomes das Unidades de Pronto Atendimento Sul e Norte, realizando um velório simbólico dessas importantes estruturas de saúde. Segundo Heguel Albuquerque, presidente do Sisemp, a ação representa o luto pela terceirização das UPAs, medida que teria sido tomada sem diálogo adequado com trabalhadores, entidades representativas e o Conselho Municipal de Saúde.

"O trabalhador espera ser levado em consideração, porque são profissionais que atuam na urgência e emergência há décadas, com zelo pelo cidadão", afirmou Albuquerque durante o protesto.

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Contrato milionário e redistribuição de servidores

O contrato para gestão privada das UPAs foi publicado no Diário Oficial do Município em 24 de março, no valor de R$ 139,1 milhões com duração de um ano. A Irmandade Santa Casa de Misericórdia de Itatiba será responsável por administrar os serviços e contratar profissionais.

Paralelamente, a Prefeitura de Palmas publicou um edital de redistribuição com 474 vagas em todos os serviços disponíveis da rede de saúde. Dos 467 servidores das UPAs Sul e Norte, 313 (67%) foram alocados em suas unidades de preferência, enquanto os demais foram distribuídos conforme necessidade da rede.

TCE-TO recomenda suspensão do contrato

Em desenvolvimento significativo, o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins (TCE-TO) recomendou a suspensão do contrato por suspeita de irregularidades. A decisão cautelar, publicada na quinta-feira (9), aponta que a entidade pode estar impedida legalmente de firmar parcerias com o poder público.

A medida tem como objetivo evitar danos aos cofres públicos e garantir que o atendimento de urgência não seja prejudicado. O TCE-TO busca assegurar a legalidade do processo antes que recursos significativos sejam comprometidos.

Respostas das instituições envolvidas

A Santa Casa de Misericórdia de Itatiba informou, em nota à TV Anhanguera, que já realizou as adequações nos procedimentos de prestação de contas solicitadas pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), que notificou o TCE-TO. A entidade afirma ter atendido integralmente aos pedidos de documentos e informações do Ministério Público Estadual.

Já a Semus reforçou que a redistribuição dos servidores ocorreu por meio de edital amplamente divulgado, onde os profissionais puderam indicar até três opções de unidades de interesse. A secretaria destacou que as mudanças seguem critérios legais e administrativos, sem prejuízo dos direitos dos trabalhadores.

Impacto na rede municipal de saúde

A gestão compartilhada das UPAs, segundo a Prefeitura, permitirá a expansão dos serviços na saúde municipal. Onze postos de saúde "Corujinha" passarão a funcionar até meia-noite, ampliando o atendimento à população.

O protesto dos servidores reflete a tensão crescente em torno da terceirização de serviços essenciais de saúde, colocando em debate questões sobre qualidade do atendimento, condições de trabalho e transparência na aplicação de recursos públicos.

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