Procura por medicamentos contra HIV cresce 67% na Paraíba em 2025, aponta SES
Um levantamento realizado pela Rádio CBN João Pessoa em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba revelou um aumento significativo na procura por medicamentos que compõem o coquetel contra o vírus HIV no ano de 2025. Os dados oficiais da SES indicam que foram registrados 599 atendimentos relacionados à busca por esses remédios em 2025, enquanto em 2024 o número foi de 358. Essa diferença representa um crescimento expressivo de 67,32% de um ano para o outro, destacando uma tendência preocupante no cenário da saúde pública estadual.
Meses com maior demanda e perfil dos pacientes
Entre os meses com mais procura pelos medicamentos, dezembro liderou nos dois anos analisados. Em 2024, foram contabilizados 43 atendimentos, número que mais que dobrou em 2025, alcançando 87. Outubro também se destacou como um período de alta demanda, com 39 atendimentos em 2024 e 83 em 2025. Os dados do levantamento apontam que a faixa etária que mais busca os medicamentos do coquetel anti-HIV na Paraíba é a de jovens entre 15 e 29 anos. Esses remédios são utilizados tanto na profilaxia pré-exposição, conhecida como Prep, quanto na profilaxia pós-exposição, a PEP, estratégias cruciais para prevenção e controle da infecção.
Contexto do tratamento e desafios no monitoramento
De acordo com as informações da Secretaria de Estado de Saúde, atualmente cerca de 9.600 pessoas no estado já têm diagnóstico confirmado de vivência com o vírus HIV e estão em tratamento contínuo. Desse total, 288 indivíduos, o que corresponde a 4%, realizaram exame de carga viral no último ano e apresentaram resultado não suprimido, ou seja, acima de mil cópias virais por mililitro. Esse indicador sugere que o vírus não está adequadamente controlado nesses pacientes, o que pode comprometer a eficácia do tratamento e aumentar riscos à saúde.
Outro dado que chama a atenção é que 3.259 pessoas, equivalente a 31% dos pacientes em tratamento, não possuem registro de exame de carga viral no Sistema Único de Saúde nos últimos 365 dias. A ausência desse monitoramento regular dificulta significativamente a avaliação da eficácia do tratamento e o acompanhamento contínuo dos pacientes pelos serviços de saúde, podendo levar a complicações e à propagação do vírus.
Esse cenário evidencia a necessidade de fortalecer as políticas públicas de saúde, com foco em educação, prevenção e acesso facilitado a exames e medicamentos, especialmente entre a população jovem, que se mostra mais vulnerável. O aumento na procura por remédios pode refletir tanto uma maior conscientização sobre a importância do tratamento quanto possíveis lacunas na prevenção primária, exigindo ações integradas para conter a disseminação do HIV na Paraíba.