A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (5 de maio) que dois casos de hantavírus foram confirmados e outros cinco estão sob suspeita em um surto identificado em um cruzeiro holandês que cruzava o Oceano Atlântico. A embarcação está em quarentena na costa de Cabo Verde. Três pessoas que estavam a bordo morreram, sendo que duas delas testaram positivo para o vírus.
Situação do cruzeiro
O surto foi registrado no navio MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, há um mês. A previsão era atracar em Cabo Verde na terça-feira, mas as autoridades locais impediram o desembarque por questões de segurança. De acordo com a empresa Oceanwide Expeditions, responsável pelo cruzeiro, cerca de 149 passageiros e tripulantes permanecem retidos a bordo sob rigorosas medidas de precaução, enquanto aguardam instruções da OMS.
Durante o dia, a OMS manteve conversas com autoridades espanholas para que o navio pudesse atracar nas Ilhas Canárias. À noite, o governo espanhol autorizou a atracação, e o navio seguirá para o arquipélago. Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, as autoridades avaliam quais passageiros precisam ser evacuados com urgência em Cabo Verde, onde o navio se encontra. Os demais seguirão para as Ilhas Canárias, com previsão de chegada em três a quatro dias.
Relatos de passageiros
Apesar de relatos de que o clima a bordo é tranquilo, há preocupação entre os viajantes. O vlogger de viagens Jake Rosmarin afirmou em uma publicação nas redes sociais: "Há muita incerteza, e essa é a parte mais difícil". Outro passageiro, que preferiu não se identificar, disse à BBC que, segundo a tripulação, as autoridades de Cabo Verde "não querem se envolver com a situação". Ele acrescentou que o ambiente a bordo é "bastante tranquilo".
Rosmarin também publicou um vídeo dizendo: "O que está acontecendo agora é muito real para todos nós que estamos aqui. Não somos apenas uma história. Não somos só manchetes de jornal, somos pessoas. Pessoas com vidas, com famílias, com gente esperando por nós em casa". Ele concluiu: "Tudo o que queremos agora é nos sentir seguros, ter clareza e poder voltar para casa."
Transmissão do hantavírus
O hantavírus é transmitido por roedores, principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas desses animais. Maria Van Kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da OMS, afirmou que há suspeita de transmissão de pessoa para pessoa a bordo. "Algumas pessoas a bordo eram casais que dividiam a mesma cabine, o que caracteriza um contato bastante próximo", explicou. Ela acrescentou que a OMS também considera a possibilidade de a primeira pessoa infectada ter contraído o vírus antes do embarque.
Van Kerkhove ressaltou que a prioridade máxima da OMS é o atendimento aos dois tripulantes com sintomas respiratórios que permanecem a bordo. Eles devem ser transferidos por via aérea para a Holanda, junto com uma pessoa relacionada a um cidadão alemão que morreu. Até a manhã de terça-feira, nenhum outro tripulante apresentou sintomas.
Declarações oficiais
A Oceanwide Expeditions emitiu um comunicado informando que um passageiro holandês morreu no dia 11 de abril, e sua esposa faleceu posteriormente em um hospital em Joanesburgo. A família do casal afirmou que "a bela viagem que viviam juntos foi interrompida de forma abrupta e definitiva". Um cidadão britânico de 69 anos evacuado para a África do Sul também testou positivo para hantavírus. Investigadores trabalham com a hipótese de que os casos confirmados envolvem a variante "Andes" do vírus, que circula na América do Sul.
O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, destacou que infecções por hantavírus são incomuns e que o risco para a população em geral permanece baixo, não havendo motivo para pânico ou restrições a viagens.
O MV Hondius é um cruzeiro polar de 107,6 metros de comprimento, com capacidade para 170 passageiros em 80 cabines, além de 57 tripulantes, 13 guias e um médico a bordo.



