Paciente com Parkinson espera desde 2024 por consulta em Curitiba
Parkinson: paciente espera desde 2024 por consulta em Curitiba

Um paciente diagnosticado com a doença de Parkinson enfrenta uma longa espera por atendimento na rede pública de saúde em Curitiba. O aposentado César Pereira dos Santos, de 50 anos, está entre as mais de 117,9 mil pessoas que aguardam consultas especializadas na capital paranaense, que possui mais de 1,8 milhão de habitantes.

César aguarda a primeira consulta na rede pública desde outubro de 2024. Ele já buscou atendimento particular e recebeu indicação para uma cirurgia que pode melhorar sua condição. No entanto, o procedimento tem custo elevado na rede privada e, para ser realizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), ele precisa primeiro passar por consulta médica.

“Eu gostaria que se tivesse mais respeito por quem está doente... não é uma doença que eu causei, é uma doença que eu tenho. Eu gostaria só que fosse feito o que é certo, que é ser atendido, e ter direito do que é direito”, disse ele em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.

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Impacto na qualidade de vida

A esposa de César, Ana Paula Rodaki, relata que enquanto o marido aguarda pelo atendimento, percebe uma piora na qualidade de vida dele. “Sabendo que existe uma esperança da cirurgia, uma esperança de melhorar a qualidade de vida, mas acontece ao contrário. É uma decepção, é uma tristeza, sabe?! Parece que a gente está andando para trás, ao invés de andar para a frente”, comenta.

A doença de Parkinson é neurológica e afeta os movimentos do paciente. Causa tremores, lentidão de movimentos, rigidez muscular, desequilíbrio, além de alterações na fala e na escrita. Não há cura, mas o tratamento pode amenizar os sintomas e retardar o progresso da doença.

Consulta agendada após intervenção

Após a RPC questionar a prefeitura de Curitiba sobre o caso de César, uma consulta foi agendada para o dia 28 de maio. Em nota, o município informou: “Quanto ao paciente, o caso foi analisado pela equipe da Unidade de Saúde, e como ele estava em acompanhamento na rede privada, sem histórico de acompanhamento pelo SUS, foi providenciada imediatamente o agendamento com a neurologia do Centro de Especialidades do município para verificar se o paciente necessita de um atendimento clínico ou cirúrgico. Todos os pacientes que permanecem em espera de atendimento têm sua situação de saúde monitorada, e, quando necessário, podem ser priorizados para evitar o agravamento.”

Fila para consultas em Curitiba

Um levantamento feito pela RPC com base em dados do portal da Transparência mostra o tamanho das filas de espera para consultas de especialidades em Curitiba. Na neurologia, área aguardada por César, há mais de 4,6 mil pacientes na fila, dos quais 3,3 mil esperam há mais de seis meses. Em outras especialidades, as filas são ainda maiores:

  • Laboratório Óptico: 10.712 pessoas, com espera de até 3 meses.
  • Avaliação para Cirurgia Plástica: 9.999 pessoas, espera superior a 6 meses.
  • Odontologia (Endodontia): 6.898 pessoas, espera superior a 6 meses.
  • Odontologia (Remoção Dente Incluso): 5.143 pessoas, espera superior a 6 meses.
  • Ortopedia Geral: 4.575 pessoas, espera superior a 6 meses.

O que diz a prefeitura

A Prefeitura Municipal de Curitiba enviou nota sobre as filas e os tempos de espera. Segundo o comunicado, o Programa Especialidades em Ação, lançado em abril de 2025, reduziu em 42% o total de pacientes na fila das especialidades, passando de 201.578 pessoas em dezembro de 2024 para 117.995 em maio de 2026. O número de consultas mensais nas especialidades de maior demanda (Oncologia, Oftalmologia, Otorrinolaringologia, Ortopedia e Cardiologia) foi ampliado de 15 mil para 27 mil, um crescimento de 80% na capacidade de atendimento.

A prefeitura atribui a ampliação a ações como a adesão a programas do Ministério da Saúde e o aumento da oferta entre prestadores contratados. Para acessar o atendimento, os usuários do SUS Curitibano devem procurar sua Unidade de Saúde de referência, que fará o acolhimento e o encaminhamento para a especialidade, se necessário. A inserção na fila de espera obedece à ordem cronológica e à condição clínica do paciente.

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Curitiba adota a teleconsultoria das filas de especialidades, ferramenta em que o médico da atenção primária compartilha a situação clínica do paciente com o especialista, que analisa o prontuário e orienta o plano de cuidado ou encaminha para atendimento ambulatorial. Segundo a prefeitura, os encaminhamentos são mais qualificados e os pacientes prioritários são identificados conforme protocolos clínicos. Os pacientes em espera continuam sendo acompanhados pelas equipes de atenção primária.

Sobre a fila do laboratório óptico, a prefeitura informou que se refere a pacientes que já foram atendidos em consultas e exames oftalmológicos e aguardam o recebimento de óculos, e que está organizando a ampliação da entrega. Na endodontia, as filas estão sendo qualificadas para ampliação do atendimento.