Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) em Sumaré (SP) enfrentam uma situação crítica diante da escassez de insumos básicos e alimentação especial, mesmo quando existem decisões judiciais favoráveis. Em muitos casos, a improvisação se torna a única alternativa para sobreviver.
Paraplégico recorre à fervura de sondas
O aposentado William Meira dos Santos, que é paraplégico há uma década, necessita de oito sondas por dia. Sem o fornecimento adequado pela rede pública municipal e, frequentemente, sem recursos para adquiri-las, ele adota um método arriscado para evitar infecções. "Quando não encontro para comprar, muitas vezes tenho que esterilizar em casa. Fervo a sonda, limpo com seringa e álcool, guardo num saquinho para reutilizar", relata.
Além da falta de insumos, William aguarda a troca de uma bomba que envia medicação diretamente à medula espinhal. Esse procedimento foi considerado urgente pela Justiça em uma decisão datada de 23 de abril, que determinava a realização em até dois dias, mas até o momento não foi cumprida. "Fico dentro de casa, não posso sair porque de vez em quando desmaio. Se não me segurar, caio da cadeira", desabafa.
Famílias dependem de doações
A situação de William se repete entre outros pacientes de Sumaré, que afirmam não receber alimentação especial e materiais essenciais para o tratamento. Segundo relatos, a justificativa da prefeitura é sempre a mesma: os itens estariam "em licitação". Enquanto aguardam, as famílias recorrem a doações ou improvisam para manter o cuidado dos pacientes.
Isabel Ferreira Silva, mãe de Bruna, que sofre de uma doença degenerativa e depende de dieta líquida administrada por sonda, enfrenta o problema há três meses sem receber o alimento do município. Com um custo mensal de cerca de R$ 3 mil, a alimentação tem sido garantida com ajuda de terceiros, mesmo após uma decisão judicial de 16 de abril que determinava o fornecimento em até 10 dias. "Está difícil, muito difícil, porque a sobrevivência dela depende dessa dieta", lamenta Isabel.
'Tenha paciência'
A frustração também é compartilhada por Sueli Lourdes, que cuida da mãe acamada e precisa da alimentação especial. Após tentar contato com a Secretaria de Saúde e o gabinete do prefeito, a resposta que recebe é "para ter calma". "Eles falam: 'ai, tenha paciência'. Eu respondi: minha mãe precisa de dieta, de nutrição, não de paciência", desabafa Sueli.
O que diz a Prefeitura
Procurada, a Prefeitura de Sumaré admitiu o atraso na entrega das sondas de William e afirmou que busca a "regularização do abastecimento o mais rápido possível". Sobre a troca da bomba de medicação, a administração declarou que o procedimento é de "alta complexidade" e que o caso "está sendo tratado com prioridade". Em relação à alimentação especial, a prefeitura informou que a distribuição deve ser normalizada ainda nesta semana.



