Jovem de 20 anos descobre linfoma após ignorar sinais do corpo na correria da faculdade
Paraibana de 20 anos descobre linfoma após ignorar sinais do corpo

Jovem paraibana descobre linfoma aos 20 anos após meses ignorando sinais do corpo

A estudante de odontologia Maisy Peixoto, de apenas 20 anos e residente em Esperança, no Agreste da Paraíba, recebeu um diagnóstico que mudou sua vida: linfoma de Hodgkin em estágio 2. A descoberta veio após meses em que ela atribuiu diversos sintomas à exaustão natural da rotina acadêmica intensa, entre aulas, provas e prazos do sétimo período da graduação.

Sinais sutis confundidos com cansaço do dia a dia

Durante um longo período, o corpo de Maisy emitiu alertas discretos que foram sendo normalizados. Cansaço extremo, pequenas inflamações e alterações que pareciam compatíveis com uma vida acelerada foram os primeiros indícios. "Eu associava tudo à minha correria do dia a dia. Na época, estudava tanto de manhã quanto à noite, então meio que fui ignorando os sintomas, principalmente o cansaço extremo", revelou a jovem.

Em 2024, a estudante chegou a apresentar uma oscilação de peso preocupante, perdendo até oito quilos em curtos intervalos e recuperando depois. Mesmo assim, a explicação continuou sendo o ritmo acelerado. Em maio de 2025, outro sinal apareceu: olhos inchados ao acordar, que foram tratados como uma possível infecção relacionada ao uso de lentes de contato.

O momento da virada: caroços e manchas inexplicáveis

A situação começou a mudar em agosto de 2025, quando Maisy percebeu uma pequena bolinha no pescoço durante a maquiagem. Dois ciclos de anti-inflamatório não trouxeram melhoras. Em setembro, manchas nas pernas surgiram sem motivo aparente, aumentando a confusão e angústia. "Foi confuso e angustiante. Ao mesmo tempo que havia um 'alívio' por não ser algo grave naquele momento, também existia a frustração de não ter respostas. A incerteza cansa mais do que o diagnóstico em si", desabafou.

O ponto crucial aconteceu dentro da sala de aula. Durante um atendimento clínico, um professor percebeu que não se tratava de um único caroço, mas de vários gânglios visíveis no pescoço. A orientação foi imediata: interromper o atendimento e realizar uma ultrassonografia.

Diagnóstico e início do tratamento

Em dezembro de 2025, após uma biópsia, veio a confirmação: linfoma de Hodgkin em estágio 2, com acometimento no pescoço, clavícula e tórax. "Passou um misto de sentimentos: medo, choque e muitos 'e se...'. Pensei no tempo em que normalizei sinais, mas entendi que não adiantava me culpar. O mais importante era finalmente saber o que estava acontecendo e começar o tratamento. Doença não escolhe idade!", alertou Maisy.

O tratamento começou na última sexta-feira (30) e inclui:

  1. Dois ciclos de quimioterapia
  2. 25 sessões de radioterapia subsequentes

A estudante afirma seguir tranquila, apoiada nos conhecimentos da graduação e sustentada pela fé.

Alerta médico: quando os sinais do corpo não devem ser ignorados

Segundo a hematologista Tamíris Baptista, os sintomas vividos por Maisy são comuns em muitas doenças e frequentemente associados a infecções virais. "Nem todo aumento de linfonodos indica câncer", explica a médica, o que ajuda a entender por que quadros como o da estudante costumam ser confundidos com problemas passageiros.

A especialista destaca que existem diferentes tipos de linfoma:

  • Linfoma de Hodgkin: apresenta pico geralmente entre 15 e 40 anos
  • Linfoma não Hodgkin: mais frequente a partir dos 60 anos

"A medicina não é uma ciência exata e vários fatores podem interferir, podendo o paciente desenvolver qualquer tipo de linfoma, independente das estatísticas", complementa Tamíris.

A persistência dos sintomas é um ponto crucial de alerta. Quando os gânglios permanecem aumentados por mais de duas semanas, especialmente se associados a:

  • Febre
  • Fadiga persistente
  • Perda de peso inexplicável
  • Suor noturno excessivo
  • Tosse ou dificuldade respiratória

...a investigação médica se torna necessária. "A avaliação é fundamental quando esses sinais não desaparecem e começam a vir acompanhados de outros sintomas sistêmicos", orienta a hematologista.

O caso de Maisy Peixoto serve como um alerta importante sobre a necessidade de observar mudanças no corpo e buscar investigação adequada quando os sinais se repetem ou se prolongam, independentemente da idade ou da rotina atribulada.