Jovem atropelada em Bauru sobrevive após ser declarada morta por equipe do Samu
Uma história de sobrevivência impressionante marcou a cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Fernanda Cristina Policarpo, uma jovem de 29 anos, recebeu alta hospitalar na tarde desta quinta-feira, 5 de fevereiro, após passar por uma experiência traumática que começou com um atropelamento e quase terminou em um erro médico fatal.
O acidente e o socorro equivocado
No dia 18 de janeiro, Fernanda tentava atravessar a Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros quando foi atingida por um veículo. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e, ao chegar ao local, uma médica da equipe atestou o óbito da vítima. Com a declaração de morte, a rodovia foi interditada e o Instituto Médico Legal (IML) foi chamado para remover o corpo.
Entretanto, minutos depois, um socorrista da concessionária responsável pela via percebeu que Fernanda ainda apresentava movimentos respiratórios. Apesar de já estar coberta por uma manta térmica – procedimento padrão em casos de óbito –, ela foi reanimada imediatamente e encaminhada em estado grave ao Pronto-Socorro Central de Bauru.
A internação e a recuperação milagrosa
Fernanda foi transferida para o Hospital de Base, onde permaneceu internada por 19 dias. Desse período, nove foram na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Sua evolução foi gradual:
- No dia 24 de janeiro, após uma semana sem reações, ela começou a responder a estímulos pela primeira vez.
- Dois dias depois, recebeu alta da UTI e foi para um leito de enfermaria.
- Nesta quinta-feira, finalmente, teve condições de deixar o hospital, ainda com dificuldades de fala, mas afirmando que estava bem.
A alta foi celebrada por funcionários do hospital e familiares, que acompanharam de perto toda a recuperação. Fernanda foi levada para casa em uma ambulância do próprio Hospital de Base.
Investigações e repercussões do caso
O episódio gerou grande comoção e levou a uma série de apurações. A Prefeitura de Bauru, responsável pelo Samu na região, abriu uma sindicância interna para investigar possíveis falhas no atendimento. A médica que declarou o óbito foi afastada das suas funções até a conclusão das investigações.
Além disso, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar desde as circunstâncias do atropelamento até uma possível omissão de socorro e negligência médica. O Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) também iniciou uma sindicância para avaliar a conduta profissional, mantendo o processo sob sigilo.
Testemunhas que presenciaram o atendimento relataram ter alertado a equipe do Samu sobre os sinais vitais de Fernanda, mas foram informadas de que o óbito já havia sido constatado. Um vídeo gravado no local mostra o momento em que o corpo da vítima é coberto pela manta térmica, aumentando as dúvidas sobre a eficácia do socorro prestado.
Um final feliz em meio a questionamentos
Apesar dos erros iniciais, a história de Fernanda termina com um desfecho positivo. Sua recuperação, considerada milagrosa por muitos, chama a atenção para a importância de protocolos rigorosos em serviços de emergência. Enquanto as investigações seguem em andamento, a jovem agora se recupera em casa, cercada pela família, após vencer uma batalha que quase a levou à morte por um equívoco médico.