Jovem dá à luz na recepção de maternidade em Manaus; família acusa negligência
Jovem dá à luz na recepção de maternidade em Manaus

Jovem de 18 anos tem parto na recepção de maternidade em Manaus

A jovem Ana Clara, de apenas 18 anos, viveu uma situação dramática ao dar à luz na recepção da Maternidade Dona Nazira Daou, localizada em Manaus. O episódio, ocorrido na última sexta-feira (27), gerou revolta entre os familiares, que acusam a unidade de saúde de negligência no atendimento à parturiente.

Família relata descaso durante atendimento

De acordo com Priscila Gomes, cunhada de Ana Clara, a jovem chegou ao hospital por volta das 21h30 sentindo fortes dores e já apresentando sinais de perda de líquido amniótico. "Minha mãe informou na recepção que ela estava prestes a dar à luz. Mesmo assim, deixaram Ana Clara em pé, sem colocá-la em uma maca, embora houvesse uma disponível", relatou Priscila em entrevista ao g1.

Imagens registradas por familiares mostram a jovem sentindo intensa dor, apoiando-se nas cadeiras da recepção. Pouco depois, Ana Clara avisou que a cabeça do bebê estava saindo. Um funcionário trouxe uma cadeira de rodas e sentou a parturiente, mas antes que ela fosse levada ao pré-parto, o nascimento ocorreu ali mesmo, na área de espera, diante de outras pessoas que aguardavam atendimento.

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"Para mim houve negligência: se o bebê tivesse caído, poderia ter acontecido uma tragédia", afirmou a cunhada, emocionada.

Condições pós-parto também são criticadas

Após o parto, a situação continuou preocupante segundo os relatos familiares. Ana Clara foi encaminhada para uma maca sem lençol, em um quarto sem ar-condicionado. "Só depois que minha mãe cobrou, providenciaram um lençol. Mais tarde, ela foi transferida para uma poltrona pequena, pois outras mulheres estavam parindo e precisavam das macas", contou Priscila.

Até a última terça-feira (31), tanto a mãe quanto o recém-nascido ainda não haviam recebido alta médica. O bebê apresenta alergia e segue em observação na unidade hospitalar, aumentando a preocupação dos familiares com a qualidade do atendimento prestado.

Hospital defende procedimentos adotados

Em nota oficial, a Maternidade Dona Nazira Daou apresentou versão diferente dos fatos. A unidade de saúde informou que a paciente deu entrada já em período expulsivo e foi acolhida de imediato pela equipe médica.

Segundo o comunicado, Ana Clara foi encaminhada em cadeira de rodas para a ala pré-parto, onde a criança nasceu minutos depois, sob os cuidados dos profissionais de saúde, antes mesmo de ser transferida para a maca que havia sido providenciada.

O hospital destacou que o recém-nascido apresentou boas condições ao nascer, com choro imediato, sendo realizado contato pele a pele entre mãe e bebê e adotados todos os protocolos médicos necessários. A instituição afirmou ainda que a paciente recebeu toda a assistência pós-parto adequada, sem intercorrências, e foi posteriormente transferida para a enfermaria para continuidade dos cuidados, incluindo orientações sobre amamentação.

Debate sobre qualidade do atendimento público

O caso reacende o debate sobre a qualidade dos serviços de saúde pública em Manaus, especialmente no que diz respeito ao atendimento obstétrico. Enquanto a família insiste na tese de negligência, o hospital mantém sua defesa sobre a adequação dos procedimentos adotados.

A discrepância entre as versões levanta questões sobre a transparência nas comunicações entre instituições de saúde e pacientes, além de destacar a necessidade de melhorias na infraestrutura e no acolhimento das parturientes nas unidades públicas da capital amazonense.

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