Infestação de maruins transforma dias de moradores em Ilhota (SC)
Uma infestação de maruim, tipo de mosquito cuja picada provoca intensa irritação e coceira na pele, está alterando completamente a rotina dos habitantes de Ilhota, município catarinense com aproximadamente 17 mil pessoas localizado no Vale do Itajaí. A administração municipal comunicou, nesta quarta-feira (8), que está implementando ações para enfrentar a situação, embora enfrente dificuldades devido à carência de um produto especificamente eficaz contra o inseto.
Proteção extrema mesmo com calor intenso
Jaqueline Fischer, residente na região do Braço do Baú, uma das áreas mais impactadas, relata que precisa vestir roupas de frio mesmo durante as altas temperaturas para se resguardar das picadas. Neste mês, os termômetros registraram até 34,26°C na cidade, conforme dados da Epagri/Ciram, órgão responsável pelo monitoramento climático no estado. "Tem que colocar calça, casaco, luvas, nesse calorão. Os insetos avançam no rosto da gente", descreveu Jaqueline.
A moradora também compartilhou em redes sociais que a infestação faz com que as pessoas se sintam "prisioneiras nas próprias casas". Ela detalhou: "De manhã cedo não tem como abrir uma porta. Casas permanecem fechadas [para almoçar, só com ventiladores nas pernas, para poder almoçar tranquilamente]. Crianças não podem brincar dignamente na rua". Seu filho, que é alérgico às picadas, apresenta braços inchados e coceira intensa.
Medidas de proteção e desafios no controle
Tatiana Reichert, outra moradora, adotou estratégias similares de proteção. "Ou se protege com calça e blusa comprida, ou vive cheia de repelente ou óleo corporal. E as residências sempre fechadas", afirmou. A prefeitura destacou em nota que a ausência de um produto específico comprovadamente eficaz contra o maruim complica o controle da infestação, problema que também foi recentemente identificado no município vizinho de Luiz Alves.
Riscos à saúde transmitidos pelo maruim
O professor de ecologia e zoologia Luiz Carlos de Pinha, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), explicou que, assim como o mosquito da dengue e da malária, apenas as fêmeas do maruim picam, utilizando o sangue como suplemento alimentar para a produção de ovos. As picadas causam ardência e irritação cutânea significativa.
Pinha alertou ainda que, em grandes populações do inseto, há risco de transmissão de patógenos. Os maruins estão envolvidos na propagação de certos parasitas, principalmente afetando animais domésticos da pecuária, como bovinos e equinos, podendo ocasionar surtos de doenças relacionadas. Em seres humanos, o mosquito pode transmitir a Febre do Oropouche, enfermidade frequentemente confundida com a dengue em seu diagnóstico, apresentando sintomas como dor nas articulações e febre.
O mosquito Culicoides paraensis, conhecido popularmente como maruim ou mosquito-pólvora, representa assim um desafio tanto para o conforto quanto para a saúde pública na região, exigindo atenção contínua das autoridades e da comunidade.



