Um trabalhador rural de 52 anos sobreviveu a um infarto agudo do miocárdio graças a uma operação aérea inusitada no domingo (17), na zona rural de Viana, na Grande Vitória, Espírito Santo. O homem, que passou mal após esforço físico, recebeu o medicamento Alteplase transportado por um helicóptero do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo (Notaer).
Atendimento de urgência
Inicialmente, a vítima foi socorrida por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192), que constatou dores no peito e mal-estar, sintomas típicos de infarto. Durante o atendimento, o paciente sofreu uma parada cardíaca e passou por manobras de reanimação e aplicação de choques.
Devido à gravidade e à dificuldade de acesso por terra, o Notaer foi acionado para levar o medicamento Alteplase, um fibrinolítico usado para dissolver coágulos e reverter a parada. Após a aplicação, o trabalhador respondeu positivamente, recuperou a consciência e voltou a movimentar os membros e a ter estímulos oculares.
Transporte e hospitalização
Em seguida, o paciente foi transportado de helicóptero até o Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV), referência no tratamento de infartos. A equipe médica do Notaer considerou o sucesso do uso do medicamento em campo como um fato raro e relevante na medicina global.
Como funciona o medicamento
A Alteplase, segundo a Secretaria de Estado da Saúde do Espírito Santo (Sesa), é indicada para infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral isquêmico, especialmente quando o paciente não consegue chegar rapidamente a um hospital com hemodinâmica.
O cardiologista Henrique Bonaldi explicou que a Alteplase é um fibrinolítico que quebra a fibrina e dissolve coágulos. "Em grandes centros, fazemos cateterismo para desobstruir a artéria, mas em situações remotas, ela faz esse papel muito bem", afirmou.
Critérios rigorosos
A Sesa reforçou que o uso do medicamento exige critérios rigorosos, como confirmação do diagnóstico e exclusão de contraindicações, como risco de sangramentos graves. "O profissional que autorizou a medicação precisou avaliar se o paciente tinha contraindicações", destacou Bonaldi.
Tempo é músculo
Especialistas apontam que a agilidade na administração do remédio em locais isolados é determinante para a sobrevivência. "Existe uma máxima: tempo é músculo para a cardiologia. Se a artéria que leva sangue ao coração é bloqueada, células começam a morrer. O que define a quantidade é o tempo", explicou Bonaldi.
A Sesa informou que a administração precoce do trombolítico no atendimento pré-hospitalar pode ser decisiva, mas não é rotineira, pois exige equipe treinada, confirmação diagnóstica rápida e estrutura adequada de monitoramento.
A reportagem não conseguiu contato com o paciente.



