Hantavírus dos Andes: alerta global após mortes em cruzeiro e riscos ao Brasil
Hantavírus dos Andes: alerta global após mortes em cruzeiro

De tempos em tempos, um vírus desperta preocupação global. Desta vez, o microrganismo em questão é um tipo de hantavírus responsável por três mortes confirmadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em um cruzeiro que partiu do sul da Argentina com destino ao arquipélago de Cabo Verde, na África. Pelo menos cinco passageiros testaram positivo para a doença viral de alta letalidade. Autoridades sanitárias já rastreiam 29 pessoas que teriam deixado o navio antes da primeira fatalidade ser constatada.

Origem do vírus

O virologista Paulo Eduardo Brandão, professor da USP, explica que o hantavírus associado ao surto no navio é o Orthohantavirus andesense, também conhecido como Andes vírus. Endêmico no Chile e na Argentina, ele é a principal causa de complicações pulmonares por infecções por hantavírus na América do Sul. “Seu principal reservatório na natureza é o camundongo silvestre Oligoryzomys longicaudatus, que vive no sul do continente, até na Patagônia”, afirma o especialista. O cruzeiro MV Hondius partiu justamente de Ushuaia, na região meridional da Argentina.

Transmissão e riscos

A hantavirose é uma zoonose, ou seja, uma doença infecciosa que pode ser transmitida entre animais e seres humanos. O Andes vírus é o único hantavírus com transmissão respiratória bem estabelecida entre humanos. “O mais provável é que uma ou mais pessoas tenham adquirido o vírus do camundongo e então o transmitiram para outros indivíduos”, diz Brandão. Embora a doença seja rara, sua taxa de letalidade ultrapassa 46% dos infectados, exigindo diagnóstico e suporte rápidos.

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Contágio e prevenção

A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) aponta que viver em ambientes rurais, com maior contato com roedores hospedeiros, é um dos principais fatores de risco. O vírus é transmitido pelo contato com fezes ou roedores mortos, e no caso do Andes vírus, também por secreções respiratórias em situações de confinamento. “Mas hoje a maior atenção deve ser relacionada à exposição a áreas com esses roedores, pois o vírus fica nas fezes e na urina e, na forma de aerossol, pode ser inalado”, explica Brandão.

Situação no Brasil

Casos de hantavírus no Brasil são raríssimos, mas graves. Segundo o Ministério da Saúde, o país registrou 2.377 casos e 937 mortes por hantavirose até 2024, com 70% dos episódios em áreas rurais. Apesar do alerta, o risco de um surto amplo é baixo. “A transmissão é restrita e a OMS classifica como baixo o risco de disseminação”, conclui Brandão. As autoridades seguem monitorando o caso e adotando medidas de contenção.

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