Família recorre à Justiça três vezes para garantir internação de idosa em Foz do Iguaçu
Família recorre à Justiça três vezes por internação em Foz

Família recorre à Justiça três vezes para garantir internamento de idosa em Foz do Iguaçu

Uma família de Foz do Iguaçu, localizada no oeste do Paraná, foi obrigada a acionar a Justiça em três ocasiões distintas para assegurar a internação em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e o atendimento neurológico presencial para uma idosa de 74 anos. A paciente, identificada como Terezinha Rosa, enfrentou uma longa espera por transferência após ser admitida na rede pública de saúde da cidade.

Internação inicial e diagnóstico crítico

Terezinha Rosa deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Morumbi no dia 26 de janeiro. Durante a internação, exames médicos revelaram a presença de hidrocefalia de pressão normal, uma condição caracterizada pelo acúmulo excessivo de líquido no cérebro. Além disso, foram identificados sinais de envelhecimento cerebral e um pequeno acidente vascular cerebral (AVC). Diante desse quadro clínico preocupante, o médico responsável solicitou uma transferência imediata para uma UTI, visando um tratamento mais especializado.

Primeira ação judicial e internação inadequada

Segundo relatos da família, a paciente ficou mais de 24 horas aguardando por uma vaga na UTI. Diante da demora, a filha da idosa ingressou com o primeiro pedido judicial. A liminar foi concedida no dia 28 de janeiro e cumprida no mesmo dia, porém, a idosa foi internada em um leito hospitalar comum, e não em uma UTI, contrariando a recomendação médica inicial.

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Segunda e terceira ações judiciais para atendimento adequado

Após essa primeira intervenção, Terezinha foi transferida para a UTI do Hospital Municipal Padre Germano Lauck. No entanto, o atendimento neurológico ocorreu apenas por telemedicina, o que levou a família a acionar a Justiça novamente, solicitando uma avaliação presencial de um neurologista. No dia 1º de fevereiro, uma terceira decisão judicial determinou a transferência imediata para um hospital com estrutura adequada. A transferência efetiva ocorreu apenas no dia 2 de fevereiro, quase uma semana após a entrada da paciente na UPA, com os custos da remoção sendo pagos pelo Estado.

Relato emocionado da família

Em entrevista, a filha Sueli Rosa descreveu o sofrimento vivido pela família durante o período de espera. "É desespero e humilhação. Tivemos que recorrer a três liminares para garantir o mínimo, que é a saúde. Se para nós, que somos advogados, foi assim, imagine para quem não tem informação ou recursos", afirmou. Atualmente, Terezinha está internada em outro hospital, consciente e recebendo o tratamento indicado, sem previsão de alta.

Posicionamento das autoridades de saúde

A Prefeitura de Foz do Iguaçu, ao ser procurada, informou que a paciente recebeu atendimento desde a entrada na UPA e que a transferência seguiu o fluxo do sistema de regulação, que opera por fila única. A administração municipal negou qualquer omissão ou recusa de atendimento. A Secretaria de Estado da Saúde destacou que a transferência foi baseada em critérios técnicos e clínicos, considerando também as decisões judiciais. O Hospital Municipal Padre Germano Lauck afirmou que, inicialmente, não havia indicação clínica para UTI e que o atendimento neurológico por telemedicina segue os protocolos estabelecidos pela unidade.

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