Cancelamento de cirurgias infantis no Piauí gera revolta e prejuízos para famílias
Uma situação crítica vem afetando a saúde de crianças no Piauí, onde familiares denunciam o cancelamento de cirurgias essenciais por falta de materiais hospitalares. O problema, que ganhou destaque na terça-feira (30), atinge principalmente o Hospital Infantil Lucídio Portela, em Teresina, mas também se estende a unidades do interior do estado.
Drama familiar: crianças aguardam procedimentos há anos
Ana Moreira da Silva, moradora de Ribeiro Gonçalves, a aproximadamente 500 quilômetros da capital, vive um drama pessoal. A cirurgia de seu filho, que possui cerca de 21 fraturas pelo corpo, foi cancelada sem aviso prévio. "Era para ser hoje à tarde, meu filho de jejum e cancelaram. Não explicaram muito o motivo, disseram que foi por falta de material", relatou a mãe, visivelmente abalada.
Segundo ela, a criança já aguarda o procedimento há um ano, e esta não é a primeira vez que a intervenção é suspensa. "Novamente eu vim para cá, estou aqui desde domingo e foi cancelado. É um gasto. O pai do meu filho está sem trabalhar para poder me acompanhar", desabafou Ana, destacando o impacto financeiro e emocional da situação.
Problema se repete em múltiplos casos
Carmem Silva Araújo, moradora de Curralinhos, enfrenta realidade semelhante. A cirurgia de sua filha também foi cancelada, e ela precisará retornar para casa aguardando uma nova data. "Informaram que quando resolverem o problema da questão dos panos para os centros cirúrgicos e para os leitos é que vão remarcar a cirurgia. É desumano", afirmou a mãe, ressaltando a falta de humanidade no tratamento.
O problema não se limita à capital. O Sindicato dos Enfermeiros, Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do Estado do Piauí (Senatepi) alerta que cirurgias também estão sendo canceladas no Hospital de Esperantina, desta vez por falta de materiais e de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs).
Riscos à segurança e posicionamento oficial
Erick Riccely, presidente do Senatepi, orienta que profissionais não utilizem roupas pessoais em centros cirúrgicos, UTIs e centrais de materiais, devido aos riscos de contaminação cruzada. "Isso coloca em risco a saúde do profissional, de outros pacientes e de familiares", alertou.
Em nota oficial, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi) atribuiu a falta de materiais a um "problema logístico do fornecedor de enxoval do Hospital Infantil Lucídio Portella", que causou atraso nas entregas. A secretaria informou que alguns procedimentos precisaram ser readequados temporariamente para garantir a continuidade da assistência com segurança.
"A Sesapi esclarece ainda que, tão logo o fornecimento seja regularizado, os procedimentos serão retomados normalmente, com a maior brevidade possível", afirma o comunicado, que reforça o compromisso com a qualidade dos serviços e a assistência à população.
Impacto social e necessidade de soluções urgentes
A situação expõe fragilidades no sistema de saúde pública do estado, com consequências diretas para famílias vulneráveis que dependem do serviço. Os cancelamentos representam:
- Agravamento das condições de saúde das crianças
- Prejuízos financeiros para famílias que se deslocam de cidades distantes
- Desgaste emocional de pacientes e acompanhantes
- Riscos de contaminação devido à falta de EPIs adequados
Enquanto a Sesapi promete regularizar o fornecimento, as famílias aguardam respostas concretas e soluções permanentes para evitar que novos cancelamentos comprometam a saúde de crianças em situação de vulnerabilidade.



