Um ato de generosidade transformou uma tragédia pessoal em uma nova chance de vida para cinco pessoas. Um doador de órgãos, vítima de politrauma, salvou múltiplas vidas após ter sua morte encefálica atestada no Hospital do Vicentino, em São Vicente, no litoral de São Paulo. Esta foi a primeira captação de órgãos realizada no hospital em 2026, marcando um começo de ano com esperança.
Operação logística com escolta policial
A complexa operação para transportar os órgãos doados exigiu precisão e rapidez. No sábado, 3 de janeiro, fígado, pâncreas, rins e córneas foram retirados no hospital da Baixada Santista e seguiram para o Hospital dos Rins, na capital paulista.
O transporte contou com uma equipe de seis profissionais de saúde e dois veículos, que foram escoltados pela Polícia Militar Rodoviária (PMRv) em todo o trajeto. A viagem, crucial para a preservação dos órgãos, durou aproximadamente 1 hora e 20 minutos.
Processo rigoroso e decisão familiar
O paciente deu entrada no hospital ainda em 22 de dezembro e permaneceu internado na UTI até a última sexta-feira (2), quando a morte encefálica foi confirmada. O diagnóstico seguiu um protocolo rigoroso: foi realizado por três profissionais diferentes, em horários distintos, com todos os testes clínicos e exames obrigatórios, conforme as normas do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Com a confirmação, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) de São Paulo foi acionada. A abordagem à família foi um momento de extrema sensibilidade. Uma equipe multidisciplinar, incluindo um médico, um enfermeiro, uma psicóloga do hospital e profissionais da OPO, conversou com os familiares.
"A abordagem à família é feita de forma conjunta, com total transparência", explicou a gerente de enfermagem do Hospital do Vicentino, Cintia Santos, em nota. "Somente após esse diálogo e o esclarecimento de todas as dúvidas é que a autorização formal para a doação é solicitada." A autorização da família foi fundamental para que o processo seguisse adiante.
Reforço na importância da doação
A captação dos órgãos foi realizada em parceria com a OPO, seguindo todos os protocolos técnicos e éticos do Ministério da Saúde. A Prefeitura de São Vicente destacou que a iniciativa salvou cinco vidas e reforçou a importância da doação de órgãos.
O caso exemplifica o trabalho integrado entre as equipes hospitalares e de procura de órgãos, mostrando como a doação pode ser um legado de vida mesmo em momentos de grande dor. A ação ressalta o papel essencial dos hospitais em todo o país na viabilização desse gesto que transforma realidades e encurta filas de espera por transplantes.