Famílias denunciam demora na transferência de pacientes oncológicos no HUT
Familiares de pacientes com suspeita de câncer internados no Hospital de Urgência de Teresina (HUT) expressam grande preocupação com a lentidão no processo de transferência para unidades especializadas, como o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI). Uma das pacientes, de 58 anos, já permanece no HUT há mais de uma semana.
De acordo com o advogado Wallyson Soares, especialista em direito médico que acompanha as famílias, a fila de regulação conta com aproximadamente 40 pacientes. “A legislação estabelece um prazo de até 30 dias para diagnóstico e início do tratamento oncológico; caso contrário, não é possível reverter a doença, que é muito agressiva”, alerta o advogado.
Ocupação total dos leitos de oncologia
Em nota oficial, o HU-UFPI informou que dispõe de 25 leitos na área de oncologia, todos ocupados na manhã desta quinta-feira (7). “À medida que são desocupados, a unidade hospitalar os disponibiliza à Prefeitura de Teresina, responsável pela regulação dos leitos”, esclareceu o hospital. A instituição afirmou ainda que “tem ciência das necessidades da população e tem envidado todos os esforços para reduzir o tempo de espera na fila do SUS”, mas ressaltou que cabe à Prefeitura a oferta e organização das vagas.
Falta de especialistas no HUT
Outra crítica recorrente das famílias é a ausência de médicos especialistas, como urologistas, para atender pacientes com suspeita de câncer no HUT. O hospital, por sua vez, esclareceu que não é referência para tratamento oncológico. Após avaliação médica, investigação diagnóstica e estabilização clínica, os pacientes são inseridos no sistema de regulação para transferência às unidades de referência.
“As pacientes encontram-se assistidas pela equipe multiprofissional do HUT, com suporte clínico adequado, e já estão cadastradas na Central de Regulação para transferência ao Hospital Universitário”, completou o HUT.
Relatos de familiares
Maria do Rosário Freitas da Silva, 58 anos, está no HUT desde 29 de abril. Sua filha, Jordana da Silva, conta que a mãe começou com fortes dores abdominais e recebeu diagnóstico de neoplasia (tumor). “Ela começou com sintomas virais, sem febre. Fomos a vários hospitais, ela ficou oito dias no Hospital do Buenos Aires e teve alta em 3 de abril. Nesse período, só piorou. Desenvolveu uma grande ascite e recorremos a hospitais privados para drenagem”, relata Jordana.
Até a publicação, Maria do Rosário ocupava a 14ª posição na fila de regulação para o HU-UFPI. “De lá para cá, ela perdeu 14 kg. Aqui no HUT ela recebe cuidados, mas precisa do HU. Estou clamando por essa vaga, minha mãe tem direito”, desabafou a filha.
Outra paciente é Ana Lúcia Marques, 52 anos, internada no HUT no domingo (3). O filho, Kelvin Marques, explicou que ela descobriu um acúmulo de líquido na pelve e, após exames, veio o diagnóstico de neoplasia. “Antes de retornar ao médico, ela teve uma crise e foi para a urgência, onde fez tomografia e viu uma mancha gigante. Há três dias estava com 13 cm e hoje está com 15 cm”, apontou Kelvin. Ana Lúcia estava na 7ª posição da fila. O tumor já danificava órgãos vitais, como os rins, levando-a a iniciar hemodiálise. “Eles deveriam mandar logo, é desorganizado. Chamamos de fila da morte”, desabafou o filho.
Notas oficiais
Hospital Universitário (HU-UFPI/Ebserh): Informa que dispõe de 25 leitos na oncologia, todos ocupados. À medida que são desocupados, a unidade disponibiliza à Prefeitura, responsável pela regulação. O HU atua como prestador de serviços, observando normas do SUS, e tem se esforçado para reduzir a espera, mas cabe à Prefeitura a oferta e organização de vagas.
Hospital de Urgência de Teresina (HUT): Esclarece que não é referência para tratamento oncológico e não dispõe de serviço especializado. Pacientes sem diagnóstico definido ou que necessitam de estabilização são avaliados e, após diagnóstico, inseridos no sistema de regulação. As pacientes mencionadas estão assistidas pela equipe multiprofissional e cadastradas na Central de Regulação para transferência ao HU, aguardando vaga conforme critérios regulatórios. A referência em Teresina para oncologia é o HU e o Hospital São Marcos, conforme perfil de cada paciente.



