O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) aprovou um projeto que amplia o uso seguro de plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS). Denominado “Farmácia Viva Amazônica: uso seguro de plantas medicinais, drogas vegetais e fitoterápicos integrado ao SUS no Baixo Amazonas”, a iniciativa é desenvolvida pela Cáritas da Arquidiocese de Santarém, no oeste do Pará, em parceria com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
Parcerias e envolvimento institucional
O projeto conta com a participação de diversas entidades, incluindo a Cáritas da Arquidiocese, a Ufopa, as Irmãs Franciscanas de Maristella, a Custódia São Benedito da Amazônia, o Ministério Público do Pará, por meio do Núcleo de Promoção da Igualdade Étnico-Racial (NIERAC), e a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA). A aprovação pelo CNPq representa um marco histórico para Santarém e uma oportunidade para ampliar as pesquisas na região.
Investimento e vigência
Com vigência até 2028 e investimento federal de aproximadamente R$ 250 mil, o projeto busca fortalecer o SUS na Amazônia por meio de soluções sustentáveis e culturalmente integradas. Segundo a Arquidiocese de Santarém, a proposta articula saberes tradicionais, assistência farmacêutica, Atenção Primária à Saúde (APS) e produção científica, com foco no cuidado integral de comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas do Baixo Amazonas.
Coordenação e destinação dos recursos
O professor Dr. Wilson Sabino, da Ufopa, é o coordenador do FarmaFittos. Ele explica como os recursos aprovados serão utilizados: “Parte dos recursos será destinada ao financiamento de bolsas para pessoas que atuam no projeto. Outra parte auxiliará na compra de insumos e equipamentos necessários ao FarmaFittos, como uma nova estufa para acelerar o processo de produção da droga vegetal, ou seja, da planta seca, fortalecendo a parceria e o encaminhamento junto ao SUS”. A parceria entre a Ufopa e a Arquidiocese de Santarém ocorre por meio de ações comunitárias, apoio territorial e fortalecimento do horto de plantas medicinais mantido no Centro de Formação Emaús, que pertence à Arquidiocese.
Funcionamento do horto de plantas medicinais
Inês Henn, agente da Cáritas responsável pelo horto de plantas medicinais em Emaús, descreve o trabalho desenvolvido no espaço: “De duas a três vezes por semana, contamos com uma equipe de alunos da Ufopa, agentes voluntários da Cáritas, das Irmãs Franciscanas de Maristella e parceiros que realizam os trabalhos no local. As atividades incluem o plantio, o preparo do solo, a manutenção dos canteiros, limpeza, poda, combate a pragas e a irrigação adequada para cada tipo de planta. Além disso, acompanhamos a entrada e a saída de mudas do viveiro. Possuímos dezesseis espécies de plantas em Emaús, que são nossas matrizes; algumas já estão sendo amplamente utilizadas, enquanto outras são mantidas para que, posteriormente, possam ser multiplicadas”.
Processo de secagem e espécies utilizadas
Atualmente, o horto está em processo de secagem para a produção de droga vegetal (planta seca) das seguintes espécies: Lippia alba, conhecida como cidreira; Alternanthera brasiliana, popularmente chamada de penicilina; Justicia pectoralis, conhecida como anador ou chambá; e Passiflora incarnata, conhecida por maracujá. Essas plantas já estão em processo de secagem e alguns lotes já estão prontos. Posteriormente, esse material será encaminhado ao SUS na forma de droga vegetal.



