O Brasil deve registrar aproximadamente 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, segundo as estimativas mais recentes divulgadas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca). Os dados, publicados no documento 'Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil', foram apresentados na última quarta-feira (4), marcando o Dia Mundial do Câncer com um alerta sobre o impacto crescente da doença no país.
Panorama no Acre: 1.170 casos projetados para 2026
No estado do Acre, as projeções indicam a ocorrência de 1.170 novos diagnósticos de câncer no ano de 2026. A taxa bruta geral no estado é de 118,98 casos por cada 100 mil habitantes, um número que ajuda a dimensionar o desafio local no enfrentamento da doença.
Tipos mais frequentes no estado
Entre os cânceres com maior incidência no Acre, o câncer de pele não melanoma lidera isoladamente, com 200 casos estimados. Este tipo de tumor apresenta alta ocorrência, mas baixa letalidade em comparação com outras variações da doença.
Em seguida, um grupo categorizado como 'outras localizações' soma 120 registros projetados. Outros tipos específicos aparecem com números menores, variando entre 20 e 30 novos casos anuais, incluindo:
- Linfomas
- Câncer de pâncreas
- Câncer de esôfago
- Tumores do sistema nervoso central
- Câncer de bexiga
Distribuição por gênero no Acre
Do total estimado para o estado, 530 casos devem ocorrer em homens e 640 em mulheres. Essa distribuição revela padrões distintos conforme o gênero:
Entre os homens, concentram-se a maior parte dos diagnósticos de câncer de próstata, estômago, fígado, esôfago, cavidade oral e leucemias.
Entre as mulheres, predominam os casos de câncer de mama, colo do útero, glândula tireoide e pele não melanoma.
Um dado que chama atenção é o cenário do câncer de pulmão, onde as estimativas apontam mais casos em mulheres (50) do que em homens (40), acompanhando uma tendência observada em nível nacional.
Contexto regional e nacional
Na comparação com outros estados da região Norte, o Acre aparece com um volume intermediário de casos projetados para 2026. As estimativas regionais são:
- Pará: 12.870 casos
- Amazonas: 5.580 casos
- Tocantins: 3.140 casos
- Rondônia: 2.930 casos
- Acre: 1.170 casos
- Amapá: 1.140 casos
- Roraima: 1.040 casos
Em escala nacional, quando excluídos os tumores de pele não melanoma, a estimativa cai para aproximadamente 518 mil novos casos anuais. O Inca destaca que o câncer vem se consolidando como uma das principais causas de adoecimento e morte no Brasil, aproximando-se cada vez mais das doenças cardiovasculares em termos de impacto na saúde pública.
Alertas e desafios na prevenção
A publicação do Inca chama atenção para um paradoxo preocupante: tipos de câncer com grande potencial de prevenção e detecção precoce, como o câncer do colo do útero e o colorretal, seguem entre os mais incidentes, especialmente nas regiões Norte e Nordeste do país.
Outro alerta importante é para o câncer de estômago, que apresenta maior incidência entre os homens dessas regiões, indicando possíveis desigualdades regionais no acesso a cuidados preventivos e diagnósticos.
Importância das estimativas para políticas públicas
Mozart Júlio Tabosa Sales, secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde, destacou a relevância do estudo durante sua apresentação. "Esse instrumento [a Estimativa] é fundamental porque ele é um farol que guia a capacidade de planejar no território a intervenção, entendendo, inclusive, o conjunto dos equipamentos, das ofertas assistenciais, dos recursos humanos que precisam ser dimensionados e articulados para responder os casos esperados", afirmou o representante do governo federal.
As estimativas são elaboradas a cada três anos pela Coordenação de Prevenção e Vigilância do Inca e servem como base essencial para o planejamento das políticas públicas de saúde. O objetivo é reduzir as desigualdades regionais e fortalecer as ações de prevenção e diagnóstico precoce em todo o Sistema Único de Saúde (SUS).
Os números não apenas quantificam o desafio, mas também orientam onde e como os recursos devem ser direcionados para maximizar o impacto no combate ao câncer em todas as regiões do Brasil.



