Anvisa emite alerta urgente sobre riscos do uso indevido de canetas emagrecedoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou nesta segunda-feira, 9 de dezembro, um alerta de farmacovigilância em relação aos medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras. O comunicado, emitido em Brasília, tem como foco os riscos associados ao uso inadequado desses produtos, que incluem substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
Risco de eventos adversos graves e aumento de notificações
Em nota oficial, a Anvisa destacou que, embora os riscos já constem das bulas dos medicamentos aprovados no Brasil, as notificações de eventos adversos têm aumentado significativamente, tanto no cenário nacional quanto internacional. Esse crescimento exige um reforço nas orientações de segurança para proteger a saúde pública.
A agência foi enfática ao afirmar: "Conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras, esses medicamentos devem ser utilizados exclusivamente conforme as indicações aprovadas em bula e sob prescrição e acompanhamento de profissional habilitado".
Pancreatite aguda como principal preocupação
O monitoramento médico rigoroso é motivado pelo risco de eventos adversos graves, com destaque para a pancreatite aguda. Segundo a Anvisa, essa condição pode evoluir para formas necrotizantes e até fatais, representando uma ameaça séria à saúde dos usuários.
No entanto, a agência esclareceu que não houve mudança na relação de risco e eficácia dessas substâncias. Ou seja, os benefícios terapêuticos ainda superam os efeitos adversos quando os medicamentos são usados conforme as indicações aprovadas e constantes da bula.
Alerta internacional e dados nacionais preocupantes
O comunicado da Anvisa cita que, no início deste mês, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde (MHRA) do Reino Unido também emitiu um alerta sobre o risco, ainda que pequeno, de casos de pancreatite aguda grave em pacientes que utilizam canetas emagrecedoras.
Os números brasileiros são alarmantes: entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram registradas 145 notificações de suspeitas de eventos adversos no país, além de seis suspeitas de casos com desfecho de óbito.
Medidas de controle implementadas pela Anvisa
Em junho de 2025, a Anvisa determinou que farmácias e drogarias passassem a reter a receita desse tipo de medicamento, implementando um sistema de controle mais rigoroso. Desde então:
- A prescrição médica passou a ser feita em duas vias
- A venda só pode ocorrer com a retenção da receita na farmácia, similar ao que acontece com antibióticos
- A validade das receitas é de até 90 dias a partir da data de emissão
A agência explicou que "a decisão teve como objetivo proteger a saúde da população brasileira, visto que foi observado um número elevado de eventos adversos relacionados ao uso desses medicamentos fora das indicações aprovadas".
Orientações para usuários e profissionais de saúde
A Anvisa reforça que o uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, especialmente para emagrecimento sem necessidade clínica, eleva significativamente o risco de efeitos adversos e dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.
Para os usuários, a agência recomenda:
- Procurar atendimento médico imediato em caso de dor abdominal intensa e persistente
- Ficar atento a sintomas que podem irradiar para as costas e vir acompanhados de náuseas e vômitos
Para os profissionais de saúde, a orientação é interromper o tratamento ao suspeitar de reação adversa e não dar prosseguimento caso o diagnóstico seja confirmado.
Importância da notificação e histórico de alertas
A Anvisa destaca a importância da notificação de eventos adversos no VigiMed, sistema disponibilizado pela agência para monitorar eventos relacionados a medicamentos e vacinas. Essa prática contribui para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado nacional.
Ao longo dos últimos anos, a Anvisa já havia emitido outros alertas relacionados às canetas emagrecedoras, incluindo:
- Riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos em 2024
- Perda de visão rara associada à semaglutida em 2025
Essa sequência de alertas demonstra o compromisso contínuo da agência com a farmacovigilância e a proteção da saúde dos brasileiros frente aos medicamentos de uso controlado.