Anvisa alerta sobre riscos graves das canetas emagrecedoras e investiga mortes
Anvisa alerta sobre riscos das canetas emagrecedoras

Anvisa emite alerta urgente sobre riscos das canetas para emagrecimento

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) colocou em alerta máximo o uso descontrolado das chamadas canetas emagrecedoras. Nesta segunda-feira (9), a agência reguladora emitiu um comunicado oficial alertando sobre os perigos do uso desses medicamentos sem o devido acompanhamento médico, destacando investigações sobre casos graves de saúde.

Mortes e casos de pancreatite sob investigação

As autoridades de saúde brasileiras estão investigando atualmente seis mortes e aproximadamente 200 casos de pancreatite que podem estar associados ao uso de injeções para perda de peso. Todos os óbitos em análise envolvem pacientes que desenvolveram pancreatite aguda, sofreram complicações graves e não resistiram.

No entanto, a Anvisa ressalta que essas são apenas suspeitas iniciais e ainda não é possível afirmar categoricamente que as mortes foram causadas diretamente pelos medicamentos ou por condições de saúde preexistentes dos pacientes.

O que diz o alerta oficial da Anvisa

No site oficial da agência, o alerta é claro e direto: "A Anvisa reforça que os medicamentos agonistas de GLP-1, as canetas emagrecedoras, devem ser usados somente conforme a bula e com prescrição e acompanhamento de profissional habilitado".

Segundo a agência, esses cuidados são essenciais devido ao risco de eventos adversos graves, incluindo a pancreatite aguda, que pode ter desfecho fatal em alguns casos. Embora a pancreatite já seja descrita como possível efeito colateral nas bulas dos medicamentos, as notificações têm aumentado significativamente tanto no Brasil quanto no exterior.

Aumento preocupante nas notificações

Os números revelam uma tendência alarmante. Desde 2020, a Anvisa recebeu 145 notificações de suspeitas de eventos adversos relacionados ao uso de canetas emagrecedoras. O crescimento é exponencial:

  • 1 notificação em 2020
  • 45 notificações apenas em 2025

O alerta brasileiro ecoa preocupações internacionais. No Reino Unido, por exemplo, a agência reguladora de medicamentos recebeu quase 1.300 notificações de pancreatite associadas a esses produtos desde 2007.

Riscos do emagrecimento acelerado

Alexandre Holh, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO), explica os mecanismos de risco: "Emagrecimento muito rápido aumenta o risco de pedra na vesícula, aumenta o risco de pancreatite. Então, usar esses medicamentos de maneira equivocada para emagrecer rapidamente não é uma boa ideia".

Holh compara o efeito ao que ocorre em cirurgias bariátricas, onde o emagrecimento acelerado pode desencadear problemas em pessoas com predisposição a cálculos biliares, elevando significativamente o risco de pancreatite.

Posicionamento dos fabricantes e especialistas

Os fabricantes dos medicamentos envolvidos afirmam que as bulas já trazem orientações claras sobre o risco de pancreatite e recomendam que os pacientes sigam rigorosamente as indicações médicas.

Neuton Dornelas, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, oferece uma perspectiva equilibrada: "Se você está usando esse medicamento por viver com obesidade ou com diabetes, não interrompa por conta desses riscos que foram descritos. Existem os riscos, mas os benefícios são muito maiores do que esses riscos".

Dornelas enfatiza que a decisão de iniciar ou interromper o tratamento deve ser sempre tomada em comum acordo com o médico responsável pelo acompanhamento, destacando a importância do monitoramento profissional contínuo.

Recomendações finais da vigilância sanitária

A Anvisa destaca especialmente o perigo do uso indiscriminado e fora das indicações autorizadas, particularmente para emagrecimento sem necessidade clínica comprovada. A agência reforça que:

  1. Estes medicamentos são de uso controlado
  2. Requerem prescrição médica específica
  3. Necessitam de acompanhamento profissional regular
  4. Não devem ser utilizados para fins estéticos sem avaliação clínica adequada

O alerta serve como um chamado à população para que busque orientação médica qualificada antes de iniciar qualquer tratamento para perda de peso, priorizando sempre a segurança e a saúde em detrimento de resultados rápidos e potencialmente perigosos.