Janeiro Branco: Saúde mental e obesidade têm forte ligação, diz especialista
Saúde mental e obesidade: especialista explica conexão

Durante a campanha do Janeiro Branco, que destaca a importância dos cuidados com a saúde mental, um alerta importante ganha destaque: a profunda conexão entre transtornos psicológicos, como depressão e ansiedade, e o desenvolvimento da obesidade. Especialistas reforçam que tratar o corpo sem considerar a mente é uma abordagem incompleta e ineficaz.

Os números que preocupam o Brasil

Os dados no Brasil pintam um cenário alarmante. Mais de 60% da população está acima do peso, conforme apontam as pesquisas mais recentes. Desse total, cerca de 31% das pessoas já são classificadas com obesidade. Em escala global, a situação também é grave, com mais de um bilhão de indivíduos vivendo com sobrepeso.

Paralelamente, os indicadores de saúde mental mostram uma curva ascendente preocupante. A Pesquisa Nacional de Saúde revela que os diagnósticos de depressão saltaram de 7,6% em 2013 para mais de 12% nos últimos anos. Estudos observacionais consistentemente demonstram que pessoas com obesidade apresentam prevalências significativamente maiores de sintomas de ansiedade e depressão quando comparadas à população em geral.

A mente sobrecarregada e o impacto no corpo

Em entrevista ao News 19 horas, a psicóloga Andrea Levy, cofundadora do Instituto Obesidade Brasil, explicou de forma clara essa relação bidirecional. “Saúde mental e obesidade andam juntas. Muitas vezes, quando a mente está sobrecarregada, isso mexe com sono, com ansiedade, com estresse, com fome, com energia, com autocuidado”, afirmou a especialista.

Levy destacou a necessidade de popularizar o debate sobre saúde mental, removendo estigmas. Ela enfatiza que a obesidade não é uma simples questão de falta de vontade, mas uma condição de saúde complexa, influenciada por uma combinação de fatores genéticos e ambientais.

O peso do estigma e a necessidade de um cuidado respeitoso

Além dos desafios físicos, quem vive com obesidade frequentemente carrega um fardo emocional pesado. Estigma social, autojulgamento e uma culpa persistente são emoções que interferem diretamente na qualidade de vida e no sucesso de qualquer tratamento. A cultura do moralismo, que atribui a condição a uma falha de caráter, é um dos maiores obstáculos a serem superados.

“Não dá para falar de obesidade com moralismo”, sentenciou Andrea Levy. “O cuidado precisa ser respeitoso, contínuo e sem culpa”. A profissional defende uma abordagem integrada, onde o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico é parte fundamental do tratamento da obesidade, ao lado de orientação nutricional e atividade física adequada.

A campanha do Janeiro Branco serve, portanto, como um momento crucial para ampliar essa discussão. Reconhecer a obesidade como uma questão de saúde pública que envolve o bem-estar mental é o primeiro passo para políticas e tratamentos mais eficazes e humanos, que acolham o indivíduo em sua totalidade e combatam os preconceitos que só agravam o problema.