Jovem de 12 anos supera depressão com Jiu-Jitsu e busca vaga no Sul-Americano
Atleta de 12 anos vence depressão através do Jiu-Jitsu

Aos 12 anos, a prudentina Anna Júlia Nascimento Gonçalves encontrou no tatame muito mais do que um local para treinos de Jiu-Jitsu. Durante dois anos, o esporte se transformou em uma ferramenta poderosa de superação, ajudando-a a enfrentar e vencer um quadro de depressão diagnosticado ainda na infância.

Do diagnóstico ao tatame: a busca por uma saída

Filha de pais separados e sem contato com o pai há quatro anos, Anna Júlia passou por um período delicado que resultou no diagnóstico de depressão. A recomendação médica foi direta: era necessário encontrar uma atividade que ajudasse a extravasar emoções e a fortalecer o lado emocional. A mãe, Andreia Jaqueline Nascimento Correia, de 41 anos, tentou inicialmente o balé, mas a atividade não surtiu o efeito esperado. Foi uma amiga quem indicou a Associação Beraldo BJJ/Semep, onde a jovem começou sua jornada no Jiu-Jitsu.

O início, no entanto, não foi fácil. A ansiedade marcou a primeira aula, e a sensação de que os treinos eram pesados quase a fez desistir. “No primeiro dia, eu estava muito ansiosa. Senti que os treinos eram muito pesados. Eu não queria continuar, mas minha mãe me incentivou muito”, relembra a atleta. Além do desafio interno, Anna também enfrentou episódios de bullying na escola por ser uma menina praticando um esporte de luta.

Conquistas sobre o tatame e rotina de campeã

A persistência trouxe resultados rápidos e expressivos. Em pouco tempo, Anna Júlia construiu um currículo impressionante, com 12 medalhas conquistadas em competições regionais e estaduais: nove de ouro e três de prata. Em 2025, ela alcançou o posto de vice-campeã brasileira na cidade de Barueri, interior de São Paulo.

Por trás dessas conquistas, há uma rotina intensa de dedicação. A atleta treina cinco vezes por semana, cerca de uma hora e meia por dia. Ela estuda no período da tarde e, aos sábados, tem aulas de inglês. Além disso, assume um papel de liderança, ajudando o professor Luciano Beraldo a ensinar crianças menores na associação. “Ela vai todos os dias, seis horas da tarde, para ensinar e ajudar os menores. Depois fica uma hora e meia treinando o dela. É um orgulho”, afirma a mãe, Andreia.

Atualmente na faixa verde com branco, na categoria infanto A (até 44,3 kg), Anna também aprendeu a lidar com as derrotas. A primeira disputa do Campeonato Brasileiro, em 2024, foi um marco difícil, quando perdeu sua luta inicial. “Foi uma decepção muito grande para mim. A partir daquele momento, eu queria desistir”, conta. A superação desse momento, porém, a tornou ainda mais forte.

O sonho do Sul-Americano e a força da comunidade

O próximo grande desafio da jovem atleta está marcado para fevereiro: a disputa do Campeonato Sul-Americano de Jiu-Jítsu, no Rio de Janeiro. No entanto, os custos para participar de uma competição desse nível são altos, incluindo alimentação regrada, acompanhamento com nutricionista esportiva, equipamentos, inscrições, viagens e hospedagem.

Andreia, que é professora e mora sozinha com a filha em Presidente Prudente, precisou reduzir sua carga de trabalho para se dedicar à rotina esportiva da adolescente. Sem apoio local, a família recorreu à solidariedade. Amigas de trabalho da mãe tiveram a ideia de organizar rifas e uma vaquinha online para custear a viagem.

A iniciativa comoveu a comunidade. “Tem em pessoas [ajudando na doação] que nem sei quem são. Caiu um PIX esses dias de 500 reais para ela. A gente agradece de coração”, relata Andreia. As doações podem ser feitas através do site Vakinha.

Para Anna Júlia, o apoio não gera pressão, mas sim combustível para seguir em frente. Seu olhar está no futuro, onde se vê como uma lutadora profissional, competindo internacionalmente e inspirando outras meninas. Sua mensagem resume a jornada: “Nunca desistir. Sempre com fé em Deus e nunca desistir, porque no final sempre dá certo”.