Pediatra alerta para aumento de doenças respiratórias em crianças com volta às aulas e período chuvoso
Com a chegada do período chuvoso e o retorno das aulas, os serviços de saúde pediátricos registram um crescimento significativo no número de atendimentos relacionados a doenças respiratórias. O alerta é feito pelo pediatra e diretor do Hospital Prontomed Infantil, do Grupo Med Imagem, dr. Ramon Nunes (CRM 5271), que destaca que esta época do ano é marcada por uma verdadeira "cheia" nos serviços de saúde, tanto na rede pública quanto na privada.
Fatores que contribuem para o aumento dos casos
O médico explica que vários elementos se somam neste período, criando um cenário propício para a disseminação de vírus. "Esse é um período que vários fatores se somam. A gente tem um período mais chuvoso, com oscilação de temperatura e aumento de umidade, isso leva as pessoas a ficarem mais tempo dentro de ambientes fechados e tem a volta às aulas, quando muitas crianças, que estavam em casa, começam a compartilhar vírus com os outros coleguinhas, o que aumenta significativamente os casos de doenças respiratórias", detalha dr. Ramon Nunes.
Além dessas condições ambientais e sociais, o pediatra ressalta a imaturidade do sistema imunológico das crianças como um fator crucial, especialmente nos menores de quatro anos. "A imunidade é algo construído ao longo da vida, por isso, as crianças adoecem mais que os adolescentes e adultos, sendo o risco ainda maior nos primeiros dois anos de vida, período em que a imunidade ainda está em formação e o calendário vacinal está em atualização", frisou o especialista.
Estratégias de prevenção e cuidados essenciais
Segundo o dr. Ramon Nunes, não existem medicamentos capazes de fortalecer diretamente a imunidade infantil para evitar o adoecimento. A principal estratégia, portanto, é investir em medidas que reduzam a intensidade das doenças e sua propagação, o que ele chama de "básico bem feito".
Entre os cuidados fundamentais destacados pelo pediatra estão:
- Alimentação equilibrada e nutritiva
- Vacinação em dia, seguindo o calendário recomendado
- Sono adequado e de qualidade
- Higiene pessoal rigorosa e limpeza do ambiente
- Redução do tempo de exposição a telas eletrônicas
- Estímulo a atividades físicas e brincadeiras ao ar livre
O médico enfatiza que "ambientes abertos e ventilados diminuem a propagação de vírus". Além disso, ele destaca o papel do exemplo dos adultos: "a criança aprende por cópia: se os adultos dão bom exemplo, ela aprende hábitos saudáveis. Então, é lavar as mãos antes das refeições, ensinar a higiene da tosse, ensinar a criança os cuidados que podem proteger o coleguinha do lado, reforçar a vacinação não só para crianças quanto para os adultos, essas medidas ajudam muito".
Doenças mais comuns e avanços na prevenção
Durante este período do ano, as doenças respiratórias que mais afetam as crianças incluem:
- Gripes e resfriados
- Rinite alérgica
- Crises de asma ou bronquite
- Bronquiolite, especialmente em bebês menores de dois anos
O pediatra lembra que avanços recentes na prevenção têm ajudado a reduzir casos graves. Entre eles, destaca-se a vacinação da gestante, que protege o bebê ainda no útero, e a vacina contra a bronquiolite, já disponível na rede privada e com previsão de inclusão no Sistema Único de Saúde (SUS).
Importância crucial da vacinação
Embora a vacinação não impeça totalmente a infecção, ela desempenha um papel fundamental na redução da gravidade das doenças respiratórias e no risco de internações hospitalares. "Uma criança vacinada pode até ficar doente, mas terá sintomas mais leves e maior chance de recuperação em casa", reforça o diretor do Prontomed Infantil.
Entre as vacinas recomendadas para este período estão:
- Influenza (gripe)
- Covid-19
- Pneumococo
- Coqueluche
O especialista ressalta que a imunização deve envolver toda a família, não apenas as crianças, criando uma proteção coletiva mais eficaz. A combinação de cuidados básicos, ambientes ventilados e vacinação em dia forma a base da estratégia para enfrentar o aumento sazonal das doenças respiratórias na população infantil.