Zé Felipe revela uso de chip hormonal para testosterona baixa: especialistas explicam riscos e tratamentos
Zé Felipe usa chip hormonal para testosterona baixa: riscos e tratamentos

Zé Felipe revela uso de chip hormonal para tratar queda de testosterona

O cantor sertanejo Zé Felipe, filho do renomado artista Leonardo, compartilhou recentemente em suas redes sociais uma experiência pessoal relacionada à saúde hormonal. Após realizar exames de rotina, ele descobriu que estava com os níveis de testosterona abaixo do normal e optou por utilizar um chip hormonal como tratamento. Em seu relato, o músico afirmou que o cortisol estava elevado devido a problemas com o sono, o que contribuiu para a redução da testosterona.

"Esses dias fiz uns exames: cortisol alto por causa de sono errado, testosterona baixou e o cara nem tchum. O bicho fica sem reação, fica todo inofensivo", declarou Zé Felipe, que é pai de três filhos com a influenciadora digital Virgínia Fonseca. Ele brincou sobre sempre ter sido "bocudo" e notou uma mudança em seu comportamento. Após iniciar o tratamento com o chip, o cantor relatou sentir mais disposição e "vontade de viver".

Entendendo a queda de testosterona nos homens

Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que, embora os homens continuem produzindo espermatozoides até aproximadamente os 90 anos de idade, os níveis de testosterona podem começar a declinar progressivamente a partir dos 30 a 40 anos, em média. A queda é de cerca de 1,2% ao ano na testosterona total, mas muitos indivíduos mantêm níveis normais ao longo da vida, conforme detalha Gustavo Marquesine Paul, coordenador do Departamento de Andrologia, Reprodução e Medicina Sexual da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

Estudos recentes indicam que a idade não é o único fator influente. Condições como obesidade, sedentarismo, má qualidade do sono, estresse crônico e doenças metabólicas desempenham um papel significativo na redução hormonal. Pesquisas apontam que aproximadamente 20% dos homens após os 40 anos experimentarão uma queda na testosterona, enquanto a combinação com sintomas de hipogonadismo afeta de 6% a 12% dos homens entre 40 e 69 anos.

Sintomas e diagnóstico da baixa testosterona

Os sinais da queda de testosterona podem ser variados e muitas vezes inespecíficos. Os principais sintomas incluem:

  • Sintomas sexuais: redução da libido, disfunção erétil e diminuição da frequência de ereções matinais.
  • Sintomas físicos: fadiga, baixa energia, perda de massa muscular, aumento de gordura corporal e redução de força.
  • Sintomas cognitivos e emocionais: desânimo, irritabilidade, dificuldade de concentração e queda na motivação.
  • Outros sinais possíveis: osteopenia, osteoporose, anemia e redução de pelos corporais.

É crucial ressaltar que esses sintomas não são exclusivos da baixa testosterona e podem estar relacionados a outras condições, como depressão, distúrbios do sono ou doenças crônicas. O diagnóstico deve ser feito com cuidado, preferencialmente pela manhã, entre 7h e 10h, quando os níveis hormonais estão mais elevados e estáveis. O paciente deve evitar privação de sono e estar em jejum. As diretrizes internacionais recomendam confirmar a testosterona baixa com pelo menos duas dosagens em dias diferentes, devido à variação natural dos níveis hormonais.

Quando e como a reposição de testosterona deve ser feita

O urologista Fernando Facio, também da SBU, enfatiza que a testosterona só deve ser prescrita se o paciente apresentar queixas de função sexual, como perda de libido e dificuldade de ereção, associadas a níveis hormonais fora da faixa de normalidade. Pacientes com deficiência de testosterona e sintomas do Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) são classificados como hipogonádicos.

Atenção: O uso de testosterona em homens com níveis normais não traz benefícios comprovados e pode causar riscos significativos, como infertilidade, redução da produção natural de testosterona, alterações de humor e dependência. Para homens entre 45 e 50 anos que ainda desejam ter filhos, pode ser preferível utilizar medicamentos como o citrato de clomifeno, que estimula a produção natural de testosterona sem comprometer a fertilidade.

A reposição de testosterona pode ser realizada por meio de:

  1. Gel de testosterona: aplicado diariamente pelo paciente.
  2. Forma injetável: injeções intramusculares aplicadas a cada 15 dias, em média, ou a cada três meses.
  3. Chips hormonais: paletes de testosterona, uma opção mencionada por Zé Felipe. No Brasil, esses chips estão disponíveis principalmente em farmácias de manipulação, pois ainda não há versões industriais.

Riscos do uso abusivo e contraindicações

O uso sem necessidade ou abusivo de testosterona apresenta sérias contraindicações, incluindo:

  • Hipertrofia da musculatura cardíaca
  • Alteração hepática
  • Acne e queda de cabelo
  • Infertilidade, especialmente na faixa entre 40 e 55 anos
  • Piora do câncer de próstata ou de mama em pacientes com a doença

Fernando Facio esclarece que a testosterona não causa câncer de próstata, mas seu uso é contraindicado em pacientes já diagnosticados com a doença. Além disso, indivíduos com glóbulos vermelhos aumentados também devem evitar a reposição.

Os especialistas reforçam que a atividade física regular e uma alimentação adequada podem retardar os sintomas do DAEM, mas o distúrbio é inevitável para muitos. A mensagem central é clara: qualquer tratamento hormonal deve ser iniciado apenas após avaliação médica minuciosa, garantindo a segurança e eficácia para a saúde masculina.