Sinais na pele podem revelar problemas no fígado: entenda os sintomas e cuidados
A pele funciona como um espelho do organismo, podendo revelar importantes informações sobre o funcionamento de órgãos internos, especialmente o fígado. Muitas vezes, alterações dermatológicas são interpretadas como simples problemas de pele, mas podem, na verdade, indicar disfunções hepáticas que exigem atenção médica imediata.
Observar mudanças persistentes na pele e buscar avaliação profissional é fundamental para um diagnóstico precoce e tratamento adequado. Em entrevista ao site Only My Health, o médico Abhinav Sharma destacou a importância de reconhecer esses sinais cutâneos.
"A identificação precoce desses sinais ajuda os pacientes a realizarem exames e iniciarem tratamento antes que surjam complicações mais graves", afirmou o especialista.
Como problemas hepáticos se manifestam na pele
Quando o fígado não funciona corretamente, substâncias que deveriam ser eliminadas pela corrente sanguínea podem se acumular no organismo. Esse acúmulo afeta diversas funções, resultando em sinais visíveis externamente que incluem alterações na cor da pele, nos vasos sanguíneos, nas terminações nervosas, na cicatrização e no equilíbrio de líquidos corporais.
Principais sintomas cutâneos de problemas no fígado
Pele e olhos amarelados (icterícia): Este é um dos sintomas mais conhecidos, caracterizado pela coloração amarelada da pele e da parte branca dos olhos. "Ela ocorre quando o fígado não consegue metabolizar corretamente a bilirrubina", explicou Sharma.
Coceira persistente: Coceira frequente, especialmente quando piora durante a noite ou se concentra nas palmas das mãos, pode estar associada a alterações hepáticas. O médico recomenda observar se o sintoma não está relacionado ao uso de cosméticos ou produtos específicos.
Escurecimento da pele: Manchas escuras que aparecem no pescoço, axilas, virilha ou rosto podem estar ligadas à resistência à insulina, condição frequentemente associada a doenças hepáticas. "Esse escurecimento costuma se desenvolver de forma gradual", destacou o especialista.
Sangramentos na pele: Alterações como pequenos sangramentos ou vasos sanguíneos visíveis podem ser sinais sutis de doença hepática crônica e alterações hormonais. Geralmente são indolores, simétricos e não desaparecem facilmente com pressão.
Quando buscar ajuda médica
O especialista recomenda não ignorar esses sinais cutâneos. Exames de sangue e testes de função hepática podem detectar alterações antes que o quadro se agrave significativamente.
Segundo Sharma, mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico adequado podem retardar ou até reverter a progressão de algumas doenças do fígado, destacando a importância da intervenção precoce.
Alimentos que protegem a saúde hepática
Além do acompanhamento médico, a alimentação desempenha papel crucial na manutenção da saúde do fígado. Em entrevista ao HuffPost, a nutricionista Ana Luzón destacou diversos alimentos que ajudam a reduzir inflamações e proteger o órgão.
Os principais alimentos protetores incluem:
- Vegetais como brócolis, couve-flor e couve-de-bruxelas, que auxiliam na desintoxicação e reduzem o estresse oxidativo
- Alho e cebola, que estimulam enzimas responsáveis pela eliminação de toxinas
- Frutas cítricas e azeite de oliva no preparo das refeições
- Alimentos ricos em ômega-3, como salmão, sardinha, cavala e oleaginosas, que combatem o acúmulo de gordura no fígado
- Aveia e grãos integrais
- Chá verde, que pode contribuir para reduzir a gordura hepática
- Frutas vermelhas como mirtilo e amora, com ação antioxidante
- Leguminosas, cúrcuma e gengibre
Nutricionistas ressaltam que não existe alimento milagroso e que a melhora da saúde hepática depende de uma alimentação equilibrada ao longo do tempo. Recomendam especialmente o consumo de folhas verde-escuras, peixes ricos em ômega-3, e a redução significativa de açúcar, álcool e alimentos ultraprocessados na dieta diária.
A combinação de atenção aos sinais cutâneos, acompanhamento médico regular e alimentação adequada forma a base para a manutenção da saúde do fígado e prevenção de complicações mais graves.