Conhecer seu perfil alimentar é o primeiro passo para transformar a relação com a comida
Todo início de ano, as academias lotam e as buscas por dietas milagrosas disparam, mas o entusiasmo logo dá lugar à frustração. Para que a melhora do comportamento alimentar e o emagrecimento, quando necessário, sejam objetivos duradouros com impactos na saúde geral, é preciso substituir o imediatismo pela ciência e a privação pelo equilíbrio.
A importância de repensar a alimentação
As primeiras semanas do ano são ideais para repensar como lidamos com a comida. O início de um novo ciclo pode despertar gatilhos emocionais, marcado por planejamentos, metas e expectativas, o que pode gerar ansiedade e pressão interna. Conhecer o perfil alimentar ajuda a entender o comportamento frente à comida, sendo um passo decisivo, especialmente para pessoas com sobrepeso e obesidade.
Escala de Fenótipos: uma ferramenta inovadora
Para apoiar essa identificação, temos a Escala de Fenótipos de Comportamento Alimentar (EFCA), recentemente validada para o português e publicada no Archives of Endocrinology and Metabolism. Esta ferramenta permite que médicos identifiquem e quantifiquem diferentes comportamentos alimentares que podem coexistir em um mesmo paciente, facilitando tratamentos mais personalizados e duradouros.
Os cinco perfis alimentares
A escala define cinco perfis alimentares:
- Hedônico: desejo de comer desencadeado por estímulos sensoriais (visuais e olfativos) e/ou cognitivos.
- Compulsivo: tendência a ingerir alimentos de forma rápida e em grandes quantidades em curtos espaços de tempo.
- Emocional: uso da comida para aliviar emoções negativas, como ansiedade, tédio ou solidão, com pequenos e frequentes lanches entre refeições.
- Desorganizado: supressão de refeições principais ou ficar, no mínimo, 5 horas sem comer.
- Hiperfágico: consumo de porções excessivas ou repetidas em uma única refeição.
Ao identificar o fenótipo do paciente, é possível entender, por exemplo, por que algumas pessoas sentem desejos incontroláveis de comer coisas específicas sem saber o motivo exato, o chamado craving. Identificar frases e atitudes não deve ser motivo de culpa, mas um sinal de alerta para a necessidade de suporte profissional.
Obesidade: muito além da falta de disciplina
A ciência busca desmistificar a visão de que indivíduos com obesidade têm excesso de peso por falta de disciplina. Sabe-se que a obesidade é uma doença multifatorial, com fatores emocionais determinantes para seu desenvolvimento. De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade 2025, um em cada três adultos brasileiros vive com a condição, e a estimativa é que o sobrepeso afete quase 3 bilhões de pessoas no mundo até 2030.
Valores altos de IMC são os principais causadores de Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como diabetes e problemas cardíacos, sendo responsáveis por 1,6 milhão de mortes prematuras anualmente. Portanto, a interação com a comida deve ter objetivos para além dos estéticos, e o emagrecimento, quando necessário, não ocorre a partir da privação severa de alimentos.
Transformação diária e busca por equilíbrio
Iniciar o ano compreendendo como e por que consumimos determinados itens é o primeiro passo para a transformação diária. O período de resoluções de Ano Novo é um excelente momento para observar esses comportamentos e procurar especialistas que possam auxiliar no manejo correto do caso. A alimentação saudável deve ser um hábito ao longo do ano todo para encontrar equilíbrio e manter resultados.
Consultar um especialista para avaliar o fenótipo alimentar pode ser o passo certeiro para que, em 2026, a saúde física e mental caminhem juntas, promovendo uma relação mais saudável e consciente com a comida.



