Kalu Putik: o fenômeno etíope que usa o cérebro para criar moda
Kalu Putik: o fenômeno etíope que usa o cérebro para criar

Kalu Putik tornou-se um verdadeiro fenômeno nas redes sociais. Este jovem etíope, de origem humilde, vem revolucionando o mundo digital com uma ideia que muitos consideram simples, mas que provavelmente já habitava a mente inteligente do adolescente há tempos. Utilizando os recursos que tinha à disposição, ele criou figurinos de moda que chamaram a atenção de bilhões de pessoas ao redor do globo. Talvez por ter menor acesso à educação, materiais e informações, Kalu usou a melhor conexão que todos possuímos: o cérebro.

Real ou inteligência artificial?

O impacto foi tão disruptivo que gerou uma dúvida que atormenta quem vive online: ele é real ou fruto de inteligência artificial? Desde o advento da internet, tornou-se um desafio para nós pensarmos, pois tudo está concentrado em um pequeno aparelho que parece fazer parte do nosso corpo: o celular. Nele, buscamos informações, tiramos dúvidas, aprendemos — mesmo que superficialmente — e nos julgamos conhecedores de tudo um pouco. Pensamos muito pouco e copiamos informações sem avaliar sua veracidade. A internet criou uma ilusão perigosa: a de que acesso à informação equivale a acesso à verdade.

Lições da história da medicina

Na história da medicina, inúmeras descobertas surgiram da observação e do pensamento. A penicilina foi descoberta quando o cientista Alexander Fleming deixou sobre a mesa do laboratório pequenos frascos com cultura de bactérias e, ao voltar de férias, notou que estavam contaminadas por um fungo, o Penicillium. Ao redor da contaminação, as bactérias não cresciam. A relação entre diabetes e pâncreas foi descoberta quando um cientista, que investigava o papel do órgão na digestão em experimentos com cães, removeu o pâncreas e observou formigas na urina dos animais. O raio-X também foi observado por acaso: o cientista estudava tipos de raios e percebeu que um deles conseguia atravessar tecidos. As úlceras estomacais afligiam o mundo, e milhões de cirurgias para remoção parcial ou total do estômago eram realizadas. Cientistas, após pesquisas persistentes, descobriram, por meio de uma cultura acidental e prolongada do tecido da parede interna do estômago, um protozoário que o infestava e fragilizava, deixando-o mais vulnerável à ação do ácido estomacal. Nascia o H. pylori. Hoje, ele é tratado, e muitas doenças são resolvidas.

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A cirurgia bariátrica e o pensar

A cirurgia bariátrica seguiu caminho semelhante. Edward Mason observou que pacientes que tinham o estômago ressecado por úlcera permaneciam eternamente magros. Ele adaptou a cirurgia para pessoas que vivem com obesidade e, há mais de 60 anos, sua técnica beneficia milhões. Nenhum desses avanços na medicina teria ocorrido se não houvesse pausa para pensar. O imediatismo do não pensar e do copiar está destruindo a intelectualidade e a longevidade humana. Quando não usamos o cérebro e não o alimentamos com informações, tornamo-nos ignorantes do saber, do discutir, do entender, do compreender e do criar. Resta-nos apenas a cópia.

O exemplo de Kalu Putik

O exemplo desse jovem africano mostra o quanto temos potencial para pensar e criar quando não temos acesso a cópias. Deixar de usar o cérebro também tem reduzido nossa longevidade. Já parou para pensar que, na ausência de imprevistos como câncer ou acidentes, dificilmente morremos de doenças cardiovasculares ou metabólicas, desde que nos tratemos adequadamente com terapias modernas? Por outro lado, se o cérebro entrar em demência, atrofiar ou desenvolver doenças neurológicas como o Alzheimer, as opções de tratamento são limitadas. Essas doenças podem ser minimizadas ou adiadas com um hábito simples que muitos negligenciam: estimular o pensar, o ler, o aprender, o socializar e o criar. Mas esse não é um problema para o talentoso Kalu Putik.

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