O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) recebeu alta hospitalar nesta terça-feira (19), após concluir o primeiro ciclo de tratamento quimioterápico no Hospital Sírio-Libanês, localizado na Bela Vista, região central de São Paulo. Ele estava internado desde o dia 10 de maio para realizar o tratamento contra um linfoma, diagnosticado após exames gerais.
De acordo com o boletim médico divulgado pela unidade de saúde, não houve intercorrências durante o período de internação, e o ex-ministro segue em boas condições gerais de saúde. O linfoma é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, uma rede de vasos e gânglios que faz parte do sistema imunológico e também se conecta ao sistema circulatório.
José Dirceu anuncia candidatura a deputado federal
Em março deste ano, durante uma visita a Campinas (SP), José Dirceu anunciou sua candidatura a deputado federal para as eleições de outubro. O petista não disputa uma eleição há 24 anos. Segundo ele, o objetivo é aumentar a bancada paulista do Partido dos Trabalhadores no Congresso Nacional e dar palanque ao ex-presidente Lula no estado de São Paulo.
“Nosso papel é fazer uma campanha em São Paulo, porque aqui o Lula ganhou a eleição de 2022, quando ele tirou 4 milhões de votos do Bolsonaro. Então nós queremos tirar 5, 6 do Flávio”, afirmou Dirceu. Ele também destacou a importância de o PT disputar o governo do estado: “E queremos disputar o governo com o Tarcísio. Acho que é muito importante o PT disputar esse governo de São Paulo com uma proposta para enfrentar o Tarcísio para valer.”
O político completou 80 anos na última segunda-feira (16). Em 2002, José Dirceu foi eleito deputado federal com 556.563 votos, sendo o segundo candidato mais votado para o cargo na ocasião. Posteriormente, deixou a Câmara para assumir a Casa Civil no governo Lula, mas saiu em junho de 2005 em meio ao escândalo do mensalão, um esquema ilícito de arrecadação de recursos para pagar parlamentares.
Ao retornar ao Congresso, teve o mandato cassado em dezembro de 2005. Em 2012, foi condenado pelo mensalão e cumpriu pena. Em 2016, o Supremo Tribunal Federal (STF) concedeu perdão da pena ao petista.
O que é linfoma?
Existem três grupos principais de câncer de sangue: leucemias, mielomas e linfomas. Enquanto as leucemias afetam a medula óssea, os linfomas afetam o sistema linfático. O hospital oncológico A. C. Camargo explica que os linfomas são divididos em dois tipos principais: linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin (LNH).
A nomenclatura deriva da descoberta feita em 1832 pelo patologista britânico Thomas Hodgkin (1798-1866), que analisou pessoas com sintomas de câncer que afetavam os gânglios linfáticos. Inicialmente chamado de “doença de Hodgkin”, foi rebatizado como “linfoma de Hodgkin” no final do século 20. Segundo a Associação de Leucemia e Linfoma dos Estados Unidos, a mudança ocorreu porque pesquisas posteriores revelaram que a doença é consequência de uma lesão no DNA de um linfócito, um tipo de glóbulo branco responsável por defender o organismo de infecções.
A mutação no linfócito o transforma em uma célula de linfoma, que se reproduz indiscriminadamente. Essas células se aglutinam e formam massas tumorais, geralmente nos gânglios linfáticos. A médica Carla Casulo, diretora da área de linfoma do Instituto Wilmot de Câncer da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, compara: “Se o corpo fosse uma casa, a leucemia seria um problema que afeta a casa toda, enquanto o linfoma seria um problema que afeta os quartos. Ou seja, ele costuma se concentrar em certas partes do corpo, nos gânglios linfáticos.”



