Dia Mundial Sem Tabaco: como o cigarro aumenta o risco de câncer de pulmão
Dia Mundial Sem Tabaco e o risco de câncer de pulmão

No dia 31 de maio, o mundo se une para discutir um hábito que ainda ceifa milhões de vidas anualmente: o tabagismo. O Dia Mundial Sem Tabaco, instituído pela Organização Mundial da Saúde (OMS), serve para lembrar que o cigarro não é apenas um vício, mas um dos principais fatores de risco para doenças graves, especialmente o câncer de pulmão. No Brasil, o câncer de pulmão figura entre os tipos mais comuns e com maior taxa de mortalidade. A relação com o tabaco é direta: estima-se que aproximadamente 85% dos casos estejam associados ao cigarro, incluindo o tabagismo passivo, ou seja, a exposição à fumaça de fumantes próximos, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). A data é um convite à reflexão e, mais do que isso, uma oportunidade para prestar atenção ao próprio corpo e buscar orientação médica quando algo não parece certo.

O que o cigarro faz no organismo

A fumaça do cigarro contém mais de 70 substâncias cancerígenas, conforme a OMS. Com o uso prolongado, essas substâncias danificam as células do trato respiratório, abrindo caminho para mutações que podem levar ao desenvolvimento de tumores. O risco aumenta com o tempo de exposição e a quantidade fumada, mas não existe nível seguro de tabagismo. Mesmo fumantes ocasionais ou pessoas expostas frequentemente à fumaça alheia têm risco elevado. Cigarros eletrônicos e narguilé também oferecem riscos. Apesar da imagem de alternativas “mais seguras”, essas modalidades igualmente liberam substâncias tóxicas e cancerígenas.

Sinais que merecem atenção

O câncer de pulmão é traiçoeiro: nos estágios iniciais, muitas vezes não apresenta sintomas claros. Quando os sinais aparecem, podem ser confundidos com doenças respiratórias comuns. O oncologista clínico Dr. Hugo Mandarino (CRM/MG: 101.899) alerta para os principais sinais de alerta: “Tosse persistente, falta de ar, dor no tórax ou nas costas para respirar e tosse com sangue, associado a emagrecimento sem dieta.” Por isso, atenção redobrada a qualquer alteração que persista por mais de três semanas:

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  • Tosse persistente ou que piora com o tempo
  • Tosse com sangue, mesmo em pequena quantidade
  • Falta de ar sem esforço físico intenso
  • Dor no peito ou nas costas ao respirar, tossir ou rir
  • Rouquidão sem causa aparente
  • Cansaço excessivo e perda de peso sem motivo
  • Infecções respiratórias frequentes, como bronquite e pneumonia

Esses sintomas isolados têm muitas causas possíveis, mas quando persistem, precisam ser investigados por um médico.

Por que o diagnóstico precoce é decisivo

Assim como em outros tipos de câncer, quanto antes o diagnóstico, maiores as chances de tratamento bem-sucedido. O Dr. Hugo reforça a gravidade dos números: “O diagnóstico precoce é de fundamental importância para o tratamento e a cura da doença. Cerca de 85% dos casos são diagnosticados em estágios avançados e inoperáveis (INCA). Por isso, é importante ficar atento aos sinais que o corpo apresenta, para um diagnóstico precoce e um tratamento curativo.” Pessoas com histórico de tabagismo prolongado, especialmente acima dos 50 anos, devem conversar com o médico sobre acompanhamento preventivo. A tomografia computadorizada de baixa dosagem é o exame mais indicado para rastreamento em grupos de risco, e pode detectar alterações antes mesmo de qualquer sintoma aparecer.

A relação entre tabaco e câncer vai além do pulmão

O cigarro não é fator de risco apenas para o câncer de pulmão. O Dr. Hugo explica que a relação é ainda mais ampla: “Não só com o câncer de pulmão, mas com outros tipos, como boca, orofaringe, esôfago, traqueia, bexiga, entre outros. O tabagismo continua o seu dano para aqueles pacientes que estão com o diagnóstico de algum tipo de câncer e que continuam fumando, diminuindo a eficácia do tratamento, o efeito da medicação sobre o tumor.” Por isso, a orientação do especialista é clara: “Interromper o tabaco, deixar o ambiente em que se vive livre do tabaco, para que as pessoas que convivam no mesmo ambiente não sofram com a ação do tabagismo passivo. Esta exposição aumenta o risco de câncer.”

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Parar de fumar: nunca é tarde

Uma das informações mais importantes sobre o tabagismo é que os benefícios de parar aparecem rapidamente. Já nas primeiras horas sem cigarro, a pressão arterial e a frequência cardíaca começam a se normalizar. Em semanas, a função pulmonar melhora. Em anos, o risco de câncer cai de forma significativa, segundo a OMS. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece apoio gratuito para quem quer parar de fumar, com acompanhamento médico, psicológico e, quando necessário, medicamentos. O posto de saúde mais próximo pode ser o primeiro passo.

Hábitos que protegem

Além de deixar o cigarro, outros hábitos fazem diferença na saúde respiratória e na prevenção do câncer de pulmão. Alimentação rica em frutas e vegetais fornece antioxidantes que ajudam a proteger as células. A prática regular de atividade física melhora a capacidade pulmonar e fortalece o sistema imunológico. Evitar ambientes com fumaça, poeira ou produtos químicos em excesso também é uma medida preventiva importante, especialmente para quem trabalha em ambientes industriais ou com exposição a agentes tóxicos.

Procure um médico

O Dia Mundial Sem Tabaco é um lembrete de que cuidar da saúde é um ato cotidiano. O Dr. Hugo reforça a importância do acompanhamento médico regular: “Fazer e manter os exames em dia, fazendo um rastreio, no intuito de prevenir o câncer e darmos o diagnóstico de forma precoce. Desta forma, podemos curar mais pacientes, de uma doença extremamente agressiva e silenciosa, em alguns casos.” Se você fuma, ou fumou por muitos anos, converse com um médico sobre seu histórico e as melhores formas de monitorar sua saúde respiratória. Se você tem algum dos sintomas listados acima e eles persistem, não adie a consulta. Unidades de saúde do SUS na Zona da Mata Mineira realizam triagens e encaminhamentos para especialistas. O cuidado começa com um passo simples: buscar ajuda.